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   > DEUS EX-MACHINA



Gilmacedo
      ARTIGOS

DEUS EX-MACHINA

Gostaria de falar não dum recurso técnico de última hora, ou de mágica inexplicável do computador. Mas sim, de um “Deus que desce por meio de uma máquina”, amorfo, subentendido, perversamente escondido em todas as frases, sons e imagens da violência atual.
Tenho me encontrado com um certo “DEUS EX-MACHINA” com freqüência, embora o tente repeli-lo, ele tem insurgido insistentemente em quase tudo que leio, assisto e vejo.
É possível demonstrar sua presença atualmente em mais de 80% do que se escreve, filma ou televisiona. Fica difícil explicar à luz da lógica, esta capacidade milagrosa dos “mocinhos”, “heróis” atuais de escaparem ilesos das cenas violentas a que são submetidos.
São “Imagens”, “Sons” e “Letras”, que surgem não sei donde; muitas vezes sem nenhum enredo prévio, como se descessem do nada, mas possuem um “escudo” eficiente na proteção do nosso valorizado personagem, cujos “agentes” causam e sofrem uma agressão atrás da outra, provocações descabidas e desmedidas, desencadeiam perversões frias e sempre desumanas, apenas para gerar “ibope”. O resultado de tão realista... chega a doer no leitor, no telespectador e cinéfilo, mas não causa nenhuma alteração física, emocional ou orgânica no autor.
Minha preocupação decorre da sensação que, quanto mais violenta a ação, maior a receptividade da platéia e que isto está causando, na minha opinião, uma impunidade generalizada a todos os atos ilícitos. Trazendo lentamente ausência do medo, falsa inocência e o conceito de que a violência não gera neurose, nenhuma fobia, seqüela alguma à sociedade e ao indivíduo. Pois este “Deus ex-machina”, o mesmo que protege, não deixando “meu herói” sofrer nenhuma conseqüência; parece ser aceito como algo não patogênico. Assim, ele está ajudando a oficializar no meio intelectual a violência como moda, algo que vale a pena e como tal, deva ser canonizada como normal, desde que o BEM vença, independentemente de como o MAL seja derrotado.
Será?... Gostaria que, além de: “Diga pro governo dar a cada um deles, uma única vez, um prato bem cheio de livros”; acrescentasse: para matar a sede, um copo bem repleto de punição a cada falha social. E como sobremesa, uma taça contendo a certeza do castigo para todos os erros efetuados contra o bem comum.
Esta deveria ser a “refeição” posta na mesa do programa violência zero. E que seja servida nos comícios, nos enredos dos teatros e nas imagens dos cinemas, principalmente na telinha mágica da Tv global. Assim acontecendo, nosso “artifício de proteção” será apenas um vício criticado e amaldiçoado, não uma doentia bengala social no mundo regido sob a lei do Gersom. Como dizem os “bons” políticos e religiosos, religião, política e futebol não se discute, aceita-se para ganhar “votos” e “almas”. Penso, contudo, que esta “fada madrinha” que tem salvaguardado nossos pseudo-heróis desta agressividade toda, está gerando violência. Mas... vou mais longe, esta “figura” paulatinamente está evitando que nasça, nas novas gerações, um sentimento chamado amor. E num futuro bem imediato, torna-se necessário discutirmos a criação de um anti-herói que não use a roupa da pseudotecnologia do DEUS EX-MACHINA. Quem sabe um herói tupiniquim e humano, com todas as fraquezas do Homo Sapiens, mesmo os do subgrupo “HOMO SAPIENS TECHNOLOGICAL”.

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