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   > O PACTO



Carlos Alberto Omena
      CONTOS

O PACTO

Quando o desespero, quando a luz desaparece no fim do túnel e quando o ser humano chega finalmente ao fundo do poço ele se torna capaz de cometer os maiores desatinos, as maiores loucuras para tentar se livrar do mal que os aflige.E quase sempre, devido à precipitação, pela falta de preparo e confiança em si mesmo essas atitudes ou desatinos alcançam proporções catastróficas.
Era assim que Fernando se sentia. Impotente perante seus problemas financeiros ele se considerava a criatura mais insignificante do planeta.
Contas atrasadas, sem emprego, devendo para todo mundo, andando diariamente a pé por falta de dinheiro para a condução, se alimentando muito mal, enfim, uma situação deplorável.
Fernando, porém, não se conformava com essa situação, não concordava em ver seus amigos, seus parentes e conhecidos crescerem financeiramente e ele ali parado no tempo, sem construir nada, entrando ano e saindo ano sem conquistar coisa alguma.
E foi movido por essa sensação de impotência, por ter perdido as esperanças e a força para lutar e principalmente pelo desespero que Fernando certa noite ao deitar, em vez de fazer suas orações normais, preferiu invocar forças negativas e desconhecidas, rezando com toda a força da fé àquele que se denomina o senhor das trevas:
- “Senhor absoluto do mal e das trevas, eu te invoco para que me ajude a sair dessa situação em que me encontro. Exijo riqueza, muito dinheiro. Quero a partir de agora transformar tudo o que fizer em riqueza. Quero ganhar muito até que ache que seja o suficiente. Enquanto eu não disser que chega, quero continuar ganhando dinheiro, muito dinheiro e em troca, me entrego a você senhor todo poderoso do mal”.
Após essa verdadeira oração maligna, Fernando sentiu um sono mortal e incontrolável e adormeceu.
Na manhã seguinte, Fernando é despertado subitamente com o toque do telefone. Já passavam das sete horas da manhã.
Ainda sonolento, põe o fone no ouvido e ouve a seguinte mensagem:
- “Senhor Fernando, infelizmente é meu dever informá-lo que sua tia faleceu essa noite, meus pêsames. Você como o único parente vivo no momento, herdou toda sua fortuna. Após os funerais, compareça ao meu escritório para tratarmos da papelada de posse da sua herança. O senhor agora é um homem rico”.
Fernando mal acreditava no que estava acontecendo, Dormiu pobre e acordou rico? Seria um milagre.Lembrou-se então do pacto que fizera na noite anterior, mas não deu importância.Atribuiu o acontecido à sorte, nada mais. E o que importava naquele momento era receber a herança.Herança essa vinda de um parente que mal conhecia, que apesar de saber que existia nunca se falaram. Naquela mesma tarde, Fernando dirigiu-se ao funeral de sua desconhecida tia e na volta resolveu dar uma parada num cambista de jogo do bicho e jogar no numero do túmulo da falecida.Pegou todo o dinheiro que tinha no bolso e sem pestanejar jogou. Deu na cabeça.
Finalmente a sorte de Fernando começava a sorrir.
E assim foi, dia após dia, Fernando ficava mais rico.Tudo que investia gerava lucros, ganhava dinheiro feito água e com o mínimo de esforço.
E quanto mais Fernando ganhava, mais ele queria ganhar.Sempre que consultava seu saldo bancário, dizia:
- “Ainda é pouco, quero mais!”. E vinha mais, mais e mais.
Movido pela ganância, Fernando não saia de casa, não se divertia, só pensava no dinheiro que ainda precisaria ganhar, pois na sua cabeça ainda era pouco e só pensaria em curtir a vida de milionário, gastar à vontade, comprar carros, apartamento e tudo o que sempre quis ter na vida, após ter certeza que o dinheiro que tinha fosse o suficiente.
Sete anos se passaram desde o recebimento da herança e Fernando já se sentia preparado para começar a aproveitar a sua riqueza.Achava que o que já tinha ganhado bastava para viver tranquilamente o resto de sua vida.
Diante do invejável extrato bancário e já cansado de ganhar dinheiro Fernando enche o peito e solta um grito histérico:
“- Chega! Chega! Não quero ganhar mais dinheiro. Já ganhei o suficiente! Chega!!”
Seu Grito foi interrompido bruscamente por um estrondo ocasionado por um trovão prenunciando uma grande tempestade de verão.
Fernando começa a se sentir sonolento e deita-se.
Mas naquela noite ele sentiu uma sensação estranha e desconfortável que apesar do sono, não conseguia dormir ate que, já alta madrugada, seu quarto foi tomado por uma nuvem densa e acinzentada, seguido de forte clarão.Por trás dessa forte fumaça, surge um homem, muito bem vestido e de feições rudes.
A aparição desse ser deixou Fernando atônito, pois apesar do sono que sentia estava acordado e aquela visão era muito real para ser um sonho.
Antes, porém de Fernando refazer-se do susto, o homem lhe diz numa voz firme e sem rodeios:
- “Vim buscar o que é meu, vamos, já está na hora”.
Fernando, juntando forças sabe lá de onde, retruca a ordem do estranho, perguntando-lhe:
- “Vamos para onde, quem é você e o que quer?”.
- “Simples, meu caro Fernando, você há sete anos atrás me pediu com toda sua fé que eu lhe desse todo o dinheiro que precisasse ate que dissesse chega em troca de sua alma. Eu lhe dei o que pediu, dei-lhe todo o dinheiro que queria, agora tem que me pagar e você é o meu pagamento”.
- “Mas, mas..., gagueja Fernando, já sentindo um frio na espinha causada pelo medo do tom ameaçador daquele individuo.”- Como posso ir agora, se não desfrutei ainda do dinheiro que ganhei?”. Não é justo.”, completa”.
O estranho secamente rebate: - “Você não me faça de bobo, você pediu que eu lhe desse dinheiro e nada mais. Você jamais pediu para usufruir do que ganhasse. Portanto hoje o dia do pagamento e você virá comigo agora”.
“Só que tem um problema, eu não posso levá-lo a força, você terá que me acompanhar espontaneamente, mas lhe aviso, não resista, pois poderá ser muito pior”.
Fernando viu ali uma maneira de ludibriar o mal e não pagar a dívida, pois se ele não aceitasse ir o homem não poderia levá-lo a força.
“-Não... Não vou acompanhá-lo, suma já daqui. Não preciso mais de você. Desapareça!” Berra Fernando irritado e descontrolado.
Subitamente um raio risca o céu acompanhado de um forte trovão que ecoa sobre o quarto de Fernando e o misterioso homem desaparece.
Fernando cai no sono profundamente.
Assim que acorda, pela manhã, Fernando sente-se estranho, mas apesar do desconforto que sentia, começa a relembrar sobre a noite passada, de como foi idiota em fazer o pedido de apenas ganhar dinheiro e não de usufruir o bem recebido, poderia ter esperado um pouco mais para dizer que estava satisfeito com o dinheiro ganho e nesse ínterim começar a gastar disfarçadamente, e ficou irradiante quando se deu conta de que tinha feito o diabo esquecê-lo, de que seus argumentos foram suficientes para fazer o mal desistir de seu intento e principalmente em saber que continuava rico e livre da ameaça de morrer naquele momento.Agora poderia sim curtir sua vida de abundância como bem entendesse.
E aquela sensação estranha que lhe percorria o corpo, o que seria, pensou ele e concluiu que se levantasse, tomasse um bom banho e um café generoso, estaria recuperado. E assim tentou.
Quando Fernando tentou levantar-se, não conseguiu. Percebeu então porque estava se sentindo tão estranho. Fernando não conseguia mover um só músculo de seu corpo.Estava paralisado. Suas pernas, seus braços, seu corpo, tudo paralisado.Somente conseguia mexer os olhos.
Fernando ficou apavorado.Totalmente inerte naquela cama, sem se mover, sem ao menos poder chamar alguém para ajudá-lo. O que fazer? Seus pensamentos começaram então a bombardeá-lo de acusações e a impotência tomou conta de seu ser quando tenta gritar por socorro e sua voz não sai, também estava mudo.A única coisa que estava normal em Fernando era a mente, os olhos e a audição, nada mais.
As horas foram se passando ate que rendido pela exaustão em tentar se mover, ou gritar para pedir ajuda, desmaia e só acorda quando ao longe ouve vozes.
Não estava mais em casa estava num hospital, ele fora resgatado por um vizinho que estranhou a porta aberta, o viu inconsciente e chamou uma ambulância.
Os médicos e enfermeiros naquela sala de hospital o olhavam com sentimento de piedade e então uma lágrima rola sobre seus olhos quando ouve de um dos médicos o seguinte comentário:
- “Que pena, um homem tão rico acabar desse jeito. Infelizmente ele nunca mais vai sair dessa cama, nunca mais vai recobrar qualquer movimento. Vai viver anos e anos dessa maneira, vegetando. E o que é pior, não tem ninguém na vida para dividir essa dor. É realmente uma pena...”



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