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   > O jogo



Figueira Valter
      CRôNICAS

O jogo

 

         Fazia quinze minutos que o jogo  começou e os ânimos já tinham ultrapassados os limites normais. A raiva e o ódio invadia a cabeça pequena e cheia de leis do pequeno doutor. Tinha acabado de cursar a faculdade, cinco anos de sofrimento. Agora se sentia imune e um insulto como aquele merecia uma resposta à altura. O lance, conhecido como carrinho, o derrubou acabando por perder a bola. Não é nada. É um jogo entre amigos. Mas não sabe porque, uma grande sede de vingança soou alto em seu subconsciente, não reagiria, não poderia. Haverá outra oportunidade e então...

         A alegria foi total, quando numa jogada quase impossível, marcou o gol. Todos o cumprimentaram. Sente uma ponta de felicidade. Finalmente sente-se útil naquele lugar em que até agora era um mero visitante, apesar de ser seu berço natal.

         No intervalo a confraternização era geral, animados todos já afirmavam ter ganho o jogo. Assim sorridentes partiram para o segundo tempo. A idéia de vingança quase tinha se apagado de sua memória, quando num lance topa novamente com o sujeito e este avançava. Era o último homem, se não segurasse ele ficaria cara a cara com o goleiro e certamente marcaria o gol. O único jeito era derrubar, cometer uma falta. Alguém no banco de reserva  que estava atento a jogada gritou: "Mata a jogada", pensou  e decidiu fazer isso mesmo. Além de não permitir que o outro marcasse o gol, poderia vingar-se. Então num lance bruto foi com os dois pés na perna do atacante que saiu esbravejando dizendo que era um bruto e não sabia jogar. Foram aquelas palavras que soaram como um grave insulto a sua índole de advogado recém formado. Irado foi até o outro que continuava sentado no gramado se preparando para levantar, sem dizer nada, desferiu um forte chute na região da mandíbula próxima ao pescoço, que o indivíduo não agüentou e caiu inerte.

         Advogado recém formado, imune como se dizia, não poderia deixar que alguém o insultasse. Virou-se e foi embora gritando que não jogaria mais. Ninguém prestou atenção no que ele dizia. E também ninguém ia continuar jogando pois o rapaz acabava de falecer. Talvez não tenha aprendido na faculdade que só pelo fato de ser advogado não era imune, ou talvez não tenha entendido direito quando lhe disseram para matar a jogada e não o jogador.

Valter  Figueira – www.valterfigueira.blogspot.com

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