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   > Divulgação científica Biodiversidade e dança de salão



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Divulgação científica

Biodiversidade e dança de salão


A palavra biodiversidade é razoavelmente nova. Originou-se da contração da expressão "biological diversity" e, em 1994, foi adotada por Huston, englobando todos os níveis de variação natural, desde o nível molecular/genético até o nível de espécies. Entendemos, então, que a biodiversidade seria uma estimativa da variabilidade biótica.
A perda da biodiversidade no mundo (em especial em regiões tropicais) é discutida tanto por entidades do primeiro, quanto segundo e terceiro setores. A causa desta perda é a própria condição humana atual, seus aspectos sociais, econômicos, culturais, científicos e educacionais.
Na Declaração do Rio durante a UNCED – Eco/Rio-92, foi aprovado o “Princípio da Precaução”, que estabelece a ação preventiva em relação às previsões. Deve-se ir além da tomada de medidas corretivas que, geralmente, se apresentam onerosas e pouco eficientes. A Educação Ambiental destaca-se no espectro da ´precaução´.
Desta forma, a biodiversidade é um tema que pode ser tratado em atividades de dança de salão de diversas formas, inclusive fomentando a formação para cidadania através da educação ambiental. Aqui, apresentamos alguns exemplos de abordagens mais especificamente: 

1 
Dimensão cultural
2 Dimensão artística
3 Animal dances
4 Inspiração para criação de passos
5 Sons do ambiente
6 Biodiversidade na sala de aula 

Dimensão cultural
A biodiversidade é tema muito abordado do ponto de vista artístico. Existem até programas voltados para estudos de biodiversidade e cultura.
Um exemplo interessante da relação interdisciplinar entre biodiversidade e dança é apresentado pela Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas de Belo Horizonte/MG,  entidade não governamental sem fins lucrativos, que tem como missão contribuir para a construção de uma sociedade sustentável. As suas atividades estão estruturadas em programas. Um deles,  o Programa Biodiversidade e Cultura,  trabalha de maneira a integrar conhecimentos de biodiversidade e cultura, o que inclui as danças.
Um dos motivadores para o Programa foi a necessidade de incorporar a dimensão cultural na concepção dos programas e projetos institucionais de biodiversidade.  Os estudos mostraram o quanto é importante reconhecer o universo cultural para identificar os vínculos das práticas de uso e manejo da biodiversidade com expressões artísticas, festas em que ocorrem as danças sociais, culinária e religiosidade. A dança aparece como prática secular de manutenção da cultura que guarda normas de convivência com o ambiente.
Este programa em especial, objetiva fortalecer a relação entre a biodiversidade e a cultura da comunidade,  incluindo suas práticas de danças sociais.
A partir desta análise entendemos que a dança de salão como espaço cultural e de cidadania pode desempenhar seu papel frente à questão da biodiversidade.  

Dimensão artística
 
A biodiversidade é um tema atual para ser abordado em espetáculos temáticos de dança de salão. A criatividade e inteligência do coreógrafo são o limite para a criação de enredos e coreografias sobre o tema, que avançam a partir da arte para um papel profundo de interferência positiva em concepções.

Animal dances
 
Sabe-se que danças de salão mais antigas foram inspiradas em diversos movimentos animais (animal dances): macaco, raposa (fox), garça. Para isto, foi necessário que os dançarinos reconhecessem os diferentes animais, seus movimentos e até suas características biológicas, ou seja, reconhecessem a biodiversidade.
Na sala de aula, ao trabalhar os ritmos como swing/soltinho, cuja história remonta a passagens por animal dances, o professor pode referir-se ao que é biodiversidade e que ela reflete-se na dança de salão até os dias de hoje (fox-trot).
Muitas destas danças foram inspiradas não só nos movimentos de deslocamento dos animais como também nos seus rituais de acasalamento.  Algumas delas são: Bunny Hug, Camel Walk, Chicken Scratch, Crab Step, Dog Trot, Fish Walk, Fox Trot, Grizzly Bear, Lame Duck, Pony Trot, Snake Dip, Turkey Trot, Wallaby Jump. Atualmente, as animal dances sumiram, se modificaram ou inspiraram outras danças que permaneceram.

Inspiração para criação de passos
 
A exemplo do passado, em que os movimentos e a vida dos diversos animais inspiraram o surgimento de danças de salão, atualmente, nada impede que sejam criados passos inspirados em seres vivos que figuram na biodiversidade.
Um professor pode falar sobre a biodiversidade e pedir para que, entre uma aula e outra, os alunos pesquisem diferentes movimentos animais. Na aula seguinte é feito um trabalho de criação de passos, inspirados nos movimentos dos mais diversos seres vivos. Assim, podemos trazer a biodiversidade para a dança de salão. Dinâmicas desta natureza são muito eficientes quando lidamos com ciranças e adolescentes. Com adultos e melhor idade, é necessário adequar técnicas como esta às características dos alunos. 

Sons do ambiente
 
O professor de dança de salão, que trabalha fundamentação de música, pode usar CDs de “sons da natureza”, ou o próprio ambiente natural, para treinar a sensibilização do ouvido dos alunos. Neste exercício, podem ser identificados sons que indicam a biodiversidade local. 

Biodiversidade na sala de aula
 
Hoje, são reconhecidos vários níveis de biodiversidade, desde o molecular, até o de ecossistemas. Desta forma, entendemos que a biodiversidade é observada desde a variabilidade de sequências de DNA até a variabilidade de comunidades e ecossistemas. Isto nos mostra que dentro de uma única espécie há biodiversidade. Portanto, dentro de uma sala de aula, há biodiversidade, que pode ser cultural, étnica, comportamental. O professor precisa, primeiramente, saber que há esta biodiversidade em sua sala de aula e que é necessário vê-la de maneira positiva.
Como educador ambiental, o professor pode recorrer aos conceitos de biodiversidade para apresentar para os alunos o fato de que existem diferenças entre os indivíduos, que estas diferenças são positivas para nossa espécie e o principal, podemos fazer com que elas coexistam harmonicamente e contribuam para nosso aprimoramento pessoal.
A dança de salão é reconhecida como uma atividade de sociabilização que agrega diferenças de forma harmônica. Em uma mesma sala ou salão, dança-se valsa, samba, bolero, salsa, swing. Todos ritmos de origens culturais completamente diversas. São vistos os mais diferentes indivíduos: abastados e empobrecidos, culturalmente favorecidos e desfavorecidos, e das mais diversas origens étnicas. Isto é biodiversidade.
Portanto, o conceito de biodiversidade e a discussão de sua importância podem se apresentar como uma metáfora importante para a sala de aula de dança de salão, uma vez que ilustra a importância das diferenças entre os indivíduos e o valor da sabedoria de sua harmonização.

Artigo publicado no jornal Dance News, Rio de Janeiro, 2007.
Texto modificado a partir do capítulo de Biodiversidade do livro “Educação ambiental na dança de salão”. Como a biodiversidade, diversos temas a respeito de questões ambientais podem ser abordados nos ambientes de dança de salão. Várias destas idéias são apresentadas no livro: Educação Ambiental na Dança de Salão.

_______________________
Maristela Zamoner– mestre em Ciências Biológicas (UFPR), especialista em educação (IBPEX), licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), bióloga atuante na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, docente em cursos de graduação e pós-graduação, professora de dança de salão há mais de uma década – publicou mais de 40 trabalhos científicos, muitos na área de dança de salão, autora de 8 livros, dentre eles: "
Dança de Salão: a caminho da licenciatura" (2005); “Educação Ambiental na Dança de Salão” (2007) e “Sexo e Dança de Salão” (2007). Os livros podem ser adquiridos pelo site da editora: www.protexto.com.br.
 

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