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   > O MENINO LEVADO DA BRECA



GERALDO DE CASTRO PEREIRA
      CONTOS

O MENINO LEVADO DA BRECA

           O MENINO LEVADO DA BRECA
 
            Joaquim, por todos conhecido por “Quinzinho”, era um menino franzino, com suas pernas cheias de perebas devido a picadas de mosquitos. Piolhos fervilhavam em sua cabeça. Andava descalço, porque seus pais não tinham condições de comprar para ele nem sequer um chinelo dos mais baratos. Por isso, os chamados “bichos de pé” faziam a festa entre seus dedos do pé.
           O coitado nasceu e vivia num pequeno sítio. Usava umas calças remendadas, que iam até o joelho, uma camiseta desbotada e um chapeuzinho de palha.
         Mas do que ele mais gostava era caçar passarinhos. Fazia pelotas de barro e as queimava para servirem de projéteis colocados em seu estilingue. Tinha uma pontaria daquelas.
         Sua mãe lhe fizera uma capanga de pano velho. Ele a enchia com as pelotas de barro e saía pelas matas. Voltava para casa com mais de dez passarinhos abatidos pelo seu certeiro estilingue.
         Ele mesmo depenava as avezinhas e as colocava numa panela fervendo. Depois, pedia para sua mãe fritá-las numa grande caçarola. E, sofregamente, devorava tudo com farinha de milho.                               
        Apanhava também tanajuras e enfiava um palito no traseiro delas para fazê-las girar e elas ficavam batendo as asinhas, desesperadas, até morrerem.
        Coitadinhas das cigarras. Amarrava linhas no pescocinho delas para, presas, fazerem-nas voar, como se fossem pequenas pipas. Morriam estranguladas pelas linhas cortantes.
        De noite, pegava uma vara de bambu e a sacudia para capturar morcegos; apanhava vaga-lumes e os colocava dentro de um vidro com algodão para servirem de pequenas lanternas.
        De outra feita, com seu bodoque acertou um beija-flor que avidamente sugava o néctar das flores da paineira exuberante existente no meio de um pasto. Correu com o pássaro na mão, e, alegremente, foi mostrá-lo à sua mãe. Levou uma tremenda represália. Ela lhe disse: ---“meu filho, esta avezinha é de Nossa Senhora. Você não pode fazer-lhe mal”. Dona Filomena, sua mãe, colocou a ave debaixo de uma bacia de alumínio e deu várias batidas por cima. Ao levantar a bacia, a ave estava vivinha e saiu voando, ainda meio tonta.
          Numa bela manhã toda ensolarada, como seu pai estava trabalhando no garimpo já fazia quase um mês, resolveu prender um franguinho dentro de um pequeno armário. Quando seu pai chegou, Quinzinho correu para tirar seu prisioneiro do armário. Qual não foi sua desilusão, ao verificar que o penoso já estava morto e até fedendo. Ele se esqueceu de dar-lhe água e comida e deixar uma fresta para o pobrezinho respirar.
          Certa vez, quando sua mãe estava fazendo doce de marmelo num grande tacho de cobre, o menino ficou ali por perto. De repente, enfiou uma colher de pau no tacho para experimentar a guloseima. A colher caiu, com o doce ainda fervendo, em cima de seu pé. Sem saber o que fazer com tanta dor, mergulhou o pé numa bacia com água, deixando-o em carne viva. E, para complicar a situação, seu pai aplicou um produto na ferida, próprio para tratar aftosas de animais. A ferida agravou-se mais ainda e demorou quase um ano para cicatrizar-se.                                                                 Um dia, montando em um jumentinho, foi levar comida para seu pai, que estava consertando uma estrada de carro de boi cerca de uns cinco quilômetros do sítio. No caminho, do outro lado da cerca de arame, viu um filhote de anum.
   Sem demora, apeou-se do animal, largou a marmita de comida no chão e avançou para cima do filhotinho para apanhá-lo. Nem enxergou a cerca. Ficou todo arranhado pelo arame. Em razão do fato, a comida chegou fria às mãos de seu papai. Levoi dele uma surra daquelas. E seu pai lhe perguntou:
- “para que serve um filhote de anum, uma ave que não canta bonito e se alimenta de vermes e carrapatos de animais?”
“Ah, pai, ele era tão bonitinho! Meu vizinho cria até um urubu em sua casa.”
  Só mesmo coisas de um menino levado da breca! Mas, que divertimentos poderia ter uma criança vivendo numa roça?

Geraldo de Castro Pereira.


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