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   > Aleixo e a feira



Airo Zamoner
      CRôNICAS


Aleixo e a feira


Aleixo parou de supetão na divisa da praça Osório com a Boca Maldita, bem no coração de Curitiba.
Tirou o óculos lentamente, desenroscando-o primeiro de uma orelha, depois da outra.
Puxou o lenço branco que enfeitava o pequeno bolso superior do surrado paletó.
Esfregou lente por lente com o cuidado de um cirurgião e espiou a praça mais uma vez.
Ergueu os braços cansados, com a lentidão das nuvens brancas que se exibiam pelas frestas das árvores frondosas em busca de luzes para examinar a transparência das lentes.
Satisfeito, ajustou o óculos no rosto e sorriu levemente, maroto de satisfação, ainda segurando o lenço precariamente engatado no dedo mínimo. Dobrou-o com habilidade, formando dois ângulos pontiagudos, sobrepostos lado a lado, ligeiramente desencontrados, acomodando-o de volta no obsoleto casaco de tuíde.
Seu olhar navegou nas perfiladas barracas que se espalhavam pela geografia da praça.
Colocou a mão em concha, curvando a orelha. Ouviu satisfeito o burburinho.
Caminhou devagar, saboreando as cores de todos os matizes que pintavam desordenadamente o puro das barracas.
Chegou ao centro nervoso do evento. Foi cercado por amigos e abraços.
O corpo travado de ancião conformado, a mente ágil de menino inquieto, Aleixo percorreu as alamedas de suas lembranças nas alamedas da feira.
Contorceu os músculos, reagindo às tragédias vividas. E não foram poucas. E foram profundas e profundas foram as marcas deixadas em todos os cantos de uma alma sofrida.
Sorriu de soslaio quando, pelo portal majestoso da memória, adentraram amores infinitos que jamais morreram. E no mesmo instante, as dores acuadas se camuflaram nas vielas escuras. Desapareceram.
Seus livros, empertigados e garbosos, rapidamente tomaram o espaço, exibindo suas capas, num desfile do tempo, da vida, de suas invenções, na poesia de sua alma, nas histórias de sua imaginação sempre criança.
Estava feliz o Aleixo. Feliz como nunca. Feliz como sempre em meio aos livros. Livros abundantes, gritando seus próprios nomes desabridamente em mais uma Feira de Livros de Curitiba.

Airo Zamoner é autor de “Contos de Curitiba”


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