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   > Traços perversos e a crise politica



Mário Diógenes Poplade
      ARTIGOS

Traços perversos e a crise politica



No atendimento à instigação feita por um amigo chamado Airo Zamoner, tentaremos descrever aqui algumas das nossas considerações sobre esse caos (que engolfou todo o povo brasileiro), oriundo do Congresso Nacional. Congresso, que, diga-se de passagem, pelo viés de uma denúncia, mostrou-se refém da maior corrupção já vista nessas paragens...
Mas vamos por partes.
Tem-se por assentado que todos temos o direito de emitir nossas opiniões sobre todo e qualquer fato do cotidiano. Especialmente sobre aqueles temas que nos fazem questão, que nos demovem. Mexem conosco. Diante destes e por algum viés, nos obrigamos a expressar, expelir, externar nossa posição e opinião sobre determinado quadro. E geralmente o fazemos através dos meios que nos estão disponíveis. Um deles é a palavra falada. Outro a palavra escrita. Outro ainda é a charge, o humor, enfim, nós humanos, temos uma série de meios eficazes que auxiliam a nos dispensarmos daquilo que nos causa alguma espécie de incomodo.
Assim, enquanto muitos se valem desses vários meios para dar vazão àquilo que os demove e comove, outros, com o mesmo objetivo, privilegiam falar. Interagir de viva voz com um semelhante. Propor-se à interlocução objetivando dar o nome apropriado ao que lhe causa espécie.
É algo aproximado a este contexto que pode levar alguém a procurar um analista. E quando alguém procura um analista com fins de entender as razões para seu sofrimento, seu infortúnio, seu insucesso, enfim, para o seu mal estar, é essa mesma “procura” que autoriza o psicanalista a acolher seu pedido. E isto é realizado na particularidade e no sigilo do consultório. Acolhemos tudo aquilo que aquele que nos procura tem a dizer (e quer dizer), sobre o que lhe causa esse mal-estar.
Assim, o que oferecemos àquele que vem até nós é uma escuta. Escutar como ele se “diz”, como ele se descreve perante aquilo que o incomoda. Como ele nomeia o que o incomoda. E como é esse incomodo. Todavia, fora do consultório, fora de um pedido explícito, poder-se-ia dizer que a psicanálise ali não é apropriada.
Mas aqui, esse não é o caso. E ainda que permeada e respaldada pelos fundamentos teóricos da psicanálise, o que doravante se estará fazendo é o resultado da externalização de uma opinião na qualidade de um cidadão comum. Como um brasileiro que também é atingido pelo que se passa na política e com os políticos do seu país. Um brasileiro que se outorga o direito de dizer e escrever como entende o que está se passando e através de uma das possíveis leituras que se pode fazer sobre tudo isso. Então, trata-se de uma opinião. A minha. Carregada de toda a inevitável subjetividade. Assim, é uma opinião subjetiva, ainda que baseada em fatos reais. Baseada na história que envolve toda essa temática.
Depois dessa digressão, vão aqui os apontamentos que sobre isso conseguimos divisar.
A psicanálise (que não é uma ciência e tampouco uma profissão), diz Lacan “(...) é apenas um extensão técnica que explora no indivíduo o alcance da dialética que escande as produções de nossa sociedade e onde a máxima pauliniana recupera sua verdade absoluta” .

Saibam que a psicanálise tem, entre os seus vários fundamentos, uma questão que gira em torno da forma patriarcal da instituição familiar. Em assim sendo, poder-se-ia dizer que a questão: O que é um Pai? É a pergunta que foi mantida por Freud até o fim de sua vida. E mantida como um enigma impenetrável.
Essa questão é de tal importância para a psicanálise a ponto de ser Freud o criador do único mito moderno, o mito do parricidio.
É o seguinte: em 1913, Freud descreve em seu livro denominado Totem e Tabu um mito. Mito que ele denomina como sendo tão somente “uma pequena história”.
Sabemos que um mito se faz necessário quando nos deparamos com um real. Algo para o qual não temos uma explicação plausível.
Na impossibilidade de explicar logicamente um evento, nós, humanos, fundamos um mito. E um mito é um mito. Algo que prescinde de uma localização temporal ou lugar específico de ocorrência.
Em termos gerais a configuração dessa “a little just history” gira em torno de uma horda. A Horda Primeva. Nesta Horda havia um componente grande e forte a ponto de impor-se perante os demais. Ele era o grande Chefe e se impunha pela força e pela sua extema agressividade na defesa de um seu único preceito: todas as fêmeas lhe pertenciam e nenhum outro macho poderia ter acesso a elas.
Para perenizar essa configuração, a cada “machinho” que nascia logo sobrevinha sumária explusão.
Àqueles machos que ousavam aproximar-se do limite da Horda e/ou de qualquer uma das fêmeas logo sentiam na pele os efeitos da sua ousadia. Para não ser mortos a mordidas ou pauladas tinham que abdicar dos seus intentos e distanciarem-se. Fugir rapidamente da grande ameaça.
As noites e dias foram passando e o Chefe da Horda mantendo o mesmo preceito: apoderar-se de todas as fêmeas e expulsar todos os machos.
Tantas foram às expulsões que num determinado dia os já numerosos expulsos, se obrigaram a concluir que entre eles havia algo em comum. Afinal, eram todos exilados, ou seja, todos tinham sido vítimas de um mesmo processo: a expulsão da Horda. Em outros temos, proibidos de participarem das orgias que na atualidade poderiam ser denominadas como dionisíacas.
Por conta de nuances que só a política pode explicar e pelo traço comum que os identificava como preteridos, os expulsos resolveram entre si reunirem-se para deliberar sobre uma determinada ação.
Fazendo uso de uma espécie de lógica quantitativa, deduziram que por serem numerosos poderiam matar aquele que os preteria e ameaçava. Matar aquele que os mantinha na condição de preteridos e exilados, ao largo da Horda. E que, além do mais, restringia permanentemente o acesso às fêmeas.
Após analisar os prós e os contras, deliberou-se matar aquele que tanto os amedrontava, restringia e assustava. E assim o fizeram. Numa ocasião mais apropriada, armaram-se como podiam e em grande número enfrentaram o então todo poderoso Chefe da Horda. E tal como haviam acordado entre si, mataram-no.
Além de matarem o Chefe da Horda, concluiram que necessitavam internalizar sua coragem, força e respeito. E se depararam com o fato de que isso só seria possivel caso comessem literalmente a carne daquele Chefe austero, restritor e amedrontador. E assim o fizeram. Locupletaram-se com a carne do grande Chefe. O Chefe virou “churrasquinho de gato” na mão (e na boca) dos seus algozes...
Esse evento ficou denominado como Banquete Totêmico. Além de matarem e literalmente comerem a carne do Chefe, estabeceram como necessidade a ostentação de uma prova desse feito. Assim, cada um dos participantes do Banquete Totêmico se apoderou, como uma espécie de “sourvenir”, de uma tíbia, de um fêmur, enfim, de um osso ou uma parte qualquer do corpo do Chefe. Prova da sua efetiva participação no evento.
Na atualidade nos vemos portanto pulseiras, brincos e outros penduricalhos. Exigimos Certificados e diplomas. Atestados e declarações. Estes nada mais são do que os reflexos longinquos e deslocados dos “sourvenires” daqueles tempos em que se esboçava o primeiro projeto do que viria a se transformar nas bases da religião e da civilização.
Todavia, essa participação no Banquete Totêmico provocou outros tantos efeitos. Efeitos tão ou mais importantes do que ter matado e comido o Chefe.
1ª) Quase no mesmo momento em que mataram e comeram a carne do Chefe, aqueles exilados e preteridos se reconheceram como irmãos e irmãs. Ou seja, se reconheceram como aparentados àquele que acabaram de matar. Por consegüinte, se reconheceram como filhos e filhas de um Pai. Filhos e filhas daquele que acabaram de matar e comer. Surgiam aí algumas leis: “honrarás pai e mãe” e “não matarás”.
2ª) A partir daquele momento, ninguém mais poderia se apoderar de todas as mulheres, pois isto tinha sido uma das fortes razões que os levaram a matar e comer o Pai. Surgia aí como mandamento: “não cobiçarás a mulher do próximo”, e por consegüinte, a proibição do incesto. Ou seja, não se pode “transar” com a mãe ou com irmãs.
3ª) Nenhum dos filhos ou filhas poderia ocupar o lugar do Pai. O lugar ocupado anteriormente pelo Pai permanecera interditado. Isto é, o lugar por ele dantes ocupado deveria permanecer vazio pois se alguém se arvorasse ocupá-lo, teria o mesmo destino daquele, ou seja, a morte. Nascia ali uma espécie de angustiante vazio. De ausência. De falta.
4ª) Para tentar preencher aquela “falta”, aquele angustiante vazio, foi construido um Totem. Algo em torno do qual os patricidas se reuniriam para prestar homenagens. Fosse na busca de alguma resposta para as suas questões. Fosse para render alguma homenagem. Fosse para a expressão do silencioso arrependimento.
Na atualidade fazemos isso com os nossos Deuses. Nossas Igrejas. Nossos Templos. Nossos Santos. Nossos Anjos. Nossos Livros Sagrados e etc. E surgia daí uma outra lei: “não invocarás o Santo Nome em vão”.
Outra conseqüência imediata e surgida do assassinato e do Banquete Totêmico, foi perceber que (diferentemente de quando o Chefe da Horda estava vivo), agora já não era mais possível qualquer tentativa de fuga. O mal-estar, a apreensão, a angústia, já não eram decorrentes da aproximação dos limites estabelecidos pelo Pai da Horda. O mal-estar também já não era resolvido caso se fosse bem rápido, caso se fugisse e se distanciasse da ira daquele Pai. Agora, já não mais se podia ir para bem longe e evitar sofrer qualquer castigo. O castigo ia junto. O Pai estava dentro. Internalizado. Ou seja, com a participação no Banquete Totêmico; com a ingestão da carne do Pai da Horda, aquele que antes estava fora se transformou numa instância interna.
Instância da qual o ser humano já não pode mais fugir. Afinal, não podemos fugir de nós mesmos. E aí teve nascimento o Superego (ou consciência moral) tão ou mais restritivo e austero que aquele Pai. Superego adubado e irrigado pelo sentimento de culpa inerente à participação no assassinato do Pai.
Ainda que seja somente uma pequena história, dela podemos depreender que toda a religiosidade, a cultura ou civilização que o humano pôde constituir, está assentada num assassinato e num intenso e brutal sentimento de culpa dele decorrente. Vale dizer que por debaixo de todas as nossas leis e expressões culturais, de religiosidade e de civilidade reside aquele assassinato e aquele sentimento inconsciente de culpa ancestral.
Esse foi o preço que nós, os humanos tivemos que pagar. Ou seja, para nos constituírmos como civilização, tivemos que colocar sob um intenso e perene recalque, uma imensa e selvagem agressividade contra o nosso semelhante, contra aquele que nos obriga a nos reconhecermos como humanos, culpados e responsáveis, porque partícipes, de um assassinato.
Desta forma e na atualidade, quando choramos nos funerais, não o fazemos pelos mortos mas pelos que estão vivos. Choramos por nós. Choramos por ter o morto escancarado diante da nossa face, a condição que é inerente ao humano, ou seja, a de sermos o único animal na face da terra a ter ciência de que é mortal. Que a vida já carrega em si a morte.

Nesse sentido supõe-se que seja pertinente a tomada que fez Jean-Jacques Rassial:
“(...) estamos numa sociedade que cada vez mais nega não somente o assassinato, mas a morte. Estamos numa sociedade que não elabora a partir do assassinato e nem da morte. E então eu afirmo que denegar, forcluir a violência que nos funda só pode produzir uma violência que vai tentar refundar aquilo que negamos. Penso que seja necessário reencontrarmos a lógica de reconhecer, e mesmo valorizar, a violência que nos funda. Por exemplo, na França a morte do rei nos funda. No Brasil, efetivamente, as coisas são muito diferentes por várias razões. Provavelmente tocaríamos num outro problema que é o das sociedades criadas por colonização nas quais se estabelece um laço, no caso, entre a origem do Brasil e a de Portugal. Há um índice disto no Brasil relativo ao drama que representou a escravidão. Mas parece haver um esquecimento completo sobre o massacre dos índios - que ainda existem no Brasil e em muitos outros lugares. Existe uma culpabilização generalizada em relação à escravidão e um total esquecimento do massacre dos índios (...). A fundação do Brasil encontra-se no massacre dos índios e isto é totalmente esquecido e recoberto, por exemplo, pela questão da escravidão. A escravidão não foi um massacre, foi uma dominação, um escândalo. Não estou legitimando a escravidão, mas fiquei surpreso de constatar que aqui se falava muito da escravidão, e pouco se falava sobre o massacre dos índios e dos índios que ainda existem”.

Para retornar ao que nos propusemos emitir como apontamento e opinião, relembramos que as nossas se referem ao atual estado de coisas. Refere-se ao momento político atual. Refere-se à selvageria denuncista que grassa nas entranhas da política brasileira.
De certa forma, se refere aos índios que ainda somos. Índios que há décadas somos massacrados por políticas econômicas que tem o poder de transformar os brasileiros em empregados de uma empresa criada para abastecer os mercados mundiais. Refere-se a nós, índios, mão-de-obra barata, de uma indústria que só produz para os outros.
Em outros termos, trabalhamos para os outros na utópica tentativa de pagar uma dívida impagável e à qual nem fomos nós que a contraímos. Somos sim, índios que não têm acesso ao que produzimos. Índios escorchados através de taxas de juros elevadíssimas e uma infinidade de itens de impostos. Índios que por conta de uma Carta Magna que ao invés de ser o resultado de uma assembléia constituinte, soberana e popular, resultou meramente congressual. E caso nela não façamos alguma modificação, o povo nunca conseguirá ser maioria, ainda que nos esforcemos em sufragar alguém com a maioria dos votos válidos. Assim, somos índios que construíram uma grande e bela nação mas que dela ainda não nos apropriamos. Índios-proprietários que só são cientificados do que ocorre nos bastidores do Poder dessa imensa nação quando alguns dos seus obscuros componentes se sentem “traídos” porque não são bem “remunerados” como achavam que deveriam.
Esses índios, nós, não precisaremos mais matar um Pai da Horda. Aquele lá já está morto. A morte daquele deu aos humanos a possibilidade de constituir uma civilização. E isso também serve para o Brasil. Então, e na condição de bons e generosos índios, devemos nos valer da nossa civilidade e através dos meios lícitos e necessários provocar o aparecimento de algo novo, de alguma, ou uma que seja, diferença.
Aqueles da Horda mataram e literalmente comeram o Pai. Não precisamos fazer isso no real. Podemos e devemos fazê-lo sim, pela via do Simbólico. Pela via da palavra (escrita, falada, etc.). Pelo gesto. Pois a persistir o atual estado de coisas, acabaremos exportando maciçamente o que produzimos e ao mesmo tempo, estaremos entrando em estado de inanição, ou seja, morrendo de fome ou comendo transgênicos e bebendo coca-cola. Votados a uma morte indigna provocada por políticas econômicas recorrentemente erradas mas aprovadas por uma casta politico-partidária que não tem como prioridade os interesses da nação brasileira. Casta político-partidária que olha tão somente para o próprio umbigo e que tem como objetivo principal de vida a preocupação de como e por onde fazer (e aí não importam os meios, desde que justifique os fins) para ser eleito na próxima eleição ou permanecer em posições e cargos de Poder.

Mas vamos retomar as nossas vias pela pergunta que não quer calar:
Ele tem conhecimento de toda essa maracutaia ou não?
Até agora e de certo, nada se sabe. E ele (Lula) também não fala.
O que se tem como conhecido e de forma mais do que clara é a “tomada perversa” que um Arthur Vergílio utilizou, para lançar tudo o que podia no ventilador.
E porque “tomada perversa?” - Não! não se trata de um conector de eletricidade que funciona de forma sádica ou masoquista, digamos assim. Não é isso.
O ato perverso, como soe acontecer, se caracteriza pela capacidade perceptiva inigualável de aproveitar o momento mais do que preciso para impactar e surpreender a sua vítima. São aqueles quadros em que o sujeito fica escondido detrás de uma árvore e quando no momento propício a mocinha por ali passa, ele sai detrás da árvore e abre o sobretudo ou a capa de chuva para mostrar-lhe seu pênis. É somente um exemplo, existem vários outros.
Em Brasília o que ocorreu foi algo aproximado a isso. Guardadas as devidas proporções, o ato perverso “vergiliano” foi o de dar um verdadeiro cheque-mate sobre o Presidente. Pois, segundo Vergílio: Se ele sabia, é um corrupto. Se ele não sabia, é um omisso.
Em síntese, assim como a mocinha que não tinha outro lugar para olhar  que foi apresentada a uma espécie de real e por isso restou emudecida e sem reação , ficou o Presidente num beco sem saída. Aliás, Lula foi posto nesse beco sem saída pela declaração perversa do Sr. Vergílio.
Numa expressão que é muito utilizada por pessoas mais simples para definir a condição daquele que é colocado numa situação da qual não há saída diríamos que Lula ficou num “pacau de bico”.
Então, o Vergílio deu o tom e o Presidente obedeceu. E só podia fazer isso. Porque ele (Lula) realmente não pode dizer nada. Lula não pode se pronunciar. Se o fizer, terá que tomar partido. Terá que se denunciar como cumplice ou como omisso.
Assim, não lhe foi dada qualquer alternativa senão a do angustiante silêncio.
Desta forma, não é para menos que ele (Lula) se propôs a inaugurar um monte de obras pelo Brasil inteiro. Não é para menos que ele (Lula) está se utilizando dessas oportunidades (não para falar sobre o assunto), mas para fazer comícios. Falar de tudo, menos daquilo... Pois ele foi obrigado a assumir o palanque. Foi o próprio Vergílio que o obrigou a isso. E Lula não tem saída. E agora: Lula deveria fazer como Getúlio? Ou como Jânio?
- Não! Nada disso. Lula é um homem persistente. A sua história nos diz isso. E é uma bela história. Uma história que faz com que os mais simples, os analfabetos e os despossuídos de tudo tenham-no como uma espécie de herói. Um exemplo a ser seguido.
É para estes que Lula fala. É para estes que Lula está se dirigindo. Tratar-se-ia de um arremedo do que fez Collor ao convocar a população em sua defesa?
Seja como for, é uma pena que ao se pronunciar como sendo aquele que só tem um diploma do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) dê a este documento (o diploma) uma conotação quase que pejorativa.
Pois temos conhecimento sobre o alto grau instrutivo e de profissionalização que caracterizam os cursos oferecidos pelo SENAI. Mesmo na atualidade em que o desemprego e o desinvestimento nas indústrias é gritante, àquele que ingressa no SENAI sabe de antemão que após cinco (05) meses de estudo, terá uma colocação no mercado de trabalho na condição de aluno-aprendiz e que passará a ganhar um salário. Então, um adolescente com 14 anos de idade se inscreve no SENAI. Ali passa a estudar e após 05 (meses) meses de estudos ele estará empregado. Terá seu primeiro emprego e receberá seu salário. Salário que inclusive lhe será pago durante o período em que retornar ao SENAI para dar continuidade aos seus estudos e ao seu Curso Profissionalizante. Aquilo que uma Lei da Educação denominada 5.692 (a do ensino profissionalizante, votada e aprovada pelos nossos “congresistas”), não fez, o SENAI tem realizado há muito tempo. Assim, os adolescentes têm aulas durante 05 (cinco meses) e trabalham na empresa os outros 07 (sete) meses, com todos os direitos e benefícios que a lei que rege a situação do menor-aprendiz, contempla. Desta maneira, é uma pena que o nosso Presidente dê esse tipo de conotação a um diploma que tanto o beneficiou, assim como a milhões e milhões de outros brasileiros.
O nosso Luiz Inácio (Lula) da Silva, pela incorporação do apelido no meio do nome próprio já nos chama a atenção. A minha, pelo menos. Pois cheguei a dedicar um texto mais ou menos longo sobre esse tema, ou seja, sobre a importância e significação do Nome Próprio. E parece que um dos filhos de Lula também fez essa “incorporação”. É alguma coisa (...) Lulinha da Silva. Tendo em vista o Banquete Totêmico, isso não é por si só interessante?
Bem, mas seja como for, é assim que Lula se apresenta. Como Lula. Um Lula que não cansa de repetir que tem somente um diploma do SENAI. Todavia foi por meio daquela instituição que se tornou torneiro-mecânico. Sua condição de torneiro-mecânico oportunizou transformar-se em líder sindical. E sua liderança foi e é inquestionável. Mesmo no período dos anos de chumbo Lula promovia greves e politizou (pelo menos abriu e inaugurou vias para que isso acontecesse) aos metalúrgicos do ABC paulista. E tudo isso, somente com um diploma do SENAI.
Tudo bem. Até porque detinha somente um diploma do SENAI que o transformou em torneiro-mecânico, num torno - e em algum turno -, perdeu um dedo. Mas ficaram outros nove. E isso não o impediu de, com o fim da ditadura, fundar um partido, o PT. Mas Lula esqueceu-se de voltar a estudar. De obter outros diplomas....
Houve um tempo em que Lula precisava do PT. Na atualidade Lula se transformou em alguém que pode prescindir do PT.
Na atualidade Lula é e está maior do que o PT. Isso é um fato. Mas será suficiente?
Lula também foi aquele que (meio sem querer) deu a entender que todo homem comum, mesmo que de posse de somente um diploma do SENAI, poderá tornar-se Presidente da República Federativa do Brasil.
A prova disso não deixa margens para dúvidas. Lula foi eleito com mais de 54 milhões de votos. É a maioria absoluta de votos no país. Mas não no Congresso Nacional. O Congresso Nacional não é o país. Não com essa Constituição Congressual. Não com o atual sistema político partidário. Assim sendo, urge uma reforma política. Pois a Câmara e o Senado são e formam um outro país onde é uma outra maioria que conta.
Lá os 54 milhões de votos não contam. Lá o que conta são os milhões de dólares. Na cueca ou em malas. Os conchavos. E para o povo, R$ 300,00 (trezentos pila!!)
Seja como for, o Lula eleito teve que fazer alianças. E com isso descaracterizou-se e descaracterizou aquilo que pretendia implementar.
Teve medo de manter ou implementar aquilo que defendia e que acreditava. Faltou-lhe “fé no taco”. Renegou aquilo que achava mais apropriado para o Brasil por medo de inovar. Ganhou a eleição mas não levou. Perdeu a grande oportunidade de ousar e passar para a história. Perdeu a oportunidade de fazer algo responsavelmente novo, inédito. Até a Argentina decretou moratória e passou a crescer de 7 a 9% ao ano.... E isso já faz quase três anos... E o mundo não acabou....
Mas Lula optou por dar continuidade a uma política econômica que antes de ser situação, criticava e com razão.
Mas Lula, ainda que sufragado para tanto, não inovou. Pelo contrário. Primou em dar continuidade àquilo que não acreditava. Ganhou a eleição mas não passará para a história como vencedor por ter aberto a mão daquilo que acreditava e que era novo. Deixou-se transformar. Repetiu o colonizador, que ao colonizar, obriga-se a se identificar com o colonizado. Com este movimento perdeu seu “estilo”, seu jeitão natural.
Assim, o Lula Presidente, passou a proceder tal como o colonizado que desesperadamente tenta absorver a cultura do colonizador para melhor combatê-lo e acaba sendo transformado pela cultura absorvida, sem, contudo, poder se identificar a ela.
Em decorrência (e como não poderia deixar de ser), Lula se obrigou a tornar-se diferente de tudo e de todos os demais porque não conseguiu incorporar o “pedigree” do colonizador. Perdeu tanto a sua identidade original quanto o respeito dos partícipes da cultura de origem. Angariando, ademais, sua inimizade por ter se deixado transformar tão mal.
E o povo, aquele que maciçamente nele votou, não poderia ter outro sentimento senão o da amargurada decepção, uma vez que ele deixou de cumprir o que prometera. O PT era a diferença. O PT pregava o diferente. Chegado ao poder se revelou um igual. Isto porque Lula e o PT, com raras exceções, tiveram que se submeter (ou melhor, ainda estão sendo submetidos) às exigências "Congressuais".
A palavra congresso, numa de suas acepções, significa congregar. Congresso então quer dizer reunião, congraçamento, ligação, ajuntamento, organização. A Globo que o diga....
Quem se liga, quem se congraça, quem se ajunta, invariavelmente se “globaliza” e obriga-se a jogar um jogo que não é o seu. No caso, o jogo perverso da corrupção, da compra de votos, do financiamento de campanhas, do caixa dois, das comissões (não as parlamentares de inquérito), mas aquela do “por fora” que cada um “leva” quando concretiza um negócio.
Pois muito bem. Mas o que acontecerá daqui para frente? O PT sobreviverá como partido político? Lula sobreviverá como Presidente ou será deposto como o foi Collor de Mello?
Não sabemos.
Alguns dizem que Lula já está vivendo uma espécie de impedimento branco. Outros dizem que se o PT sobreviver como partido (e com as bases e a ideologia de antanho, aquela que foi esquecida e jogada na lama por alguns) se transformará num partido “nanico”, quase que sem representação. E o Lula?
Bem, para articularmos um pouco mais o que está envolvido e envolve o Luiz Inácio (Lula) da Silva, vamos deixar um pouco de lado as questões para fazermos aquilo que dentro da nossa particular maneira de entender tudo isso, é inevitável, ou seja, comparações.

Lula sem um dedo “optou” pelos programas sociais. O programa Fome Zero é um deles. Mas tal como este nome foi estabelecido, não podia dar em outra coisa senão o fracasso.
Fome Zero é quase que propor a morte ou a inexistência do desejo, tal como a psicanálise o considera. Assim posto, e nos baseando na afirmação freudiana constante no texto “Dois verbetes de enciclopédia (1923)”, (mais precisamente no verbete A) A Teoria da Libido, Freud afirma que:

“(...) traçando-se um contraste entre as pulsões sexuais e as pulsões do ego (instintos de autopreservação), o que estava de acordo com o dito popular de serem a fome e o amor que fazem o mundo girar: a libido era a manifestação da força do amor, no mesmo sentido que a fome o era do instinto autopreservativo. (...)”

E de fato, a fome é uma força motivacional. É uma necessidade corporal imperiosa, assim como o são a sede e o sexo. Ou seja, são realizações de desejos sob a forma de reações a estímulos somáticos internos.
Com a Fome ao nível Zero, ou seja, inexistindo, inexistiriam quaisquer desejos de sobrevivência, quaisquer tentações, quaisquer anseios. Mesmo para se desejar comer caviar, digamos assim, a fome se faz necessária. Eu disse e escrevi desejar comer caviar, o que é diferente de comer caviar. Podemos comer caviar inclusive de “pança” cheia. Infringindo um dos sete pecados capitais, ou seja, podemos comer caviar por pura gula. Mas para desejar é necessário que algo esteja em falta. Eis aí a razão e a necessidade daqueles filhos e filhas não substituirem o Pai da Horda, colocando outro no seu lugar. Não. Aquela falta tornou-se necessária. A falta é da ordem do necessário. É necessário que alguma coisa falte para que ali nasça o desejo e com ele a lei. Eis a razão de que a Fome não pode ser Zero.
Mas seja como for, Lula tentou atender às necessidades sociais, quem sabe, as próprias. Pois Lula é um homem simples, do povo. Um torneiro-mecânico, como ele nos informa.
Assim, pode-se deduzir que ele não poderia proceder de outra forma. Isto porque Lula, na sua infância, deve ter passado necessidades, fome e frio.
Todavia, ele mesmo o diz ‘Nunca perdemos a esperança“. Esse “nunca perdemos”, (Nós - segunda pessoa do plural) diz respeito a ele, Lula, seus irmãos e a Sra. sua mãe. Ou seja, a sua família. Ao seu berço de origem (se é que teve berço! E nos dois sentidos da palavra). Isto é, temos um sentido dessa palavra que remete ao móvel, à cama do bebê. E temos o outro sentido da palavra berço que remete à origem, à família. E uma família é composta (até segunda ordem) por um Pai, uma Mãe, irmãos, irmãs tios, tias e etc....
E daí uma outra questão: E o pai de Lula, onde está?
Ele deve estar em algum lugar, sem dúvida. Apesar de todo o movimento de independização da mulher e inclusive das “produções independentes”, o esperma masculino ainda é necessário. Então algum homem deve ter “dado” o esperma para que Lula nascesse. Esse seria o Pai Real (o Pai da Horda) de Lula.
Aliás, o espermatozóide é o verdadeiro Pai Real do vivente; quanto a isto não há a menor dúvida. Porém, o que é necessário ao ser humano é que além do Pai Real, ele também seja credenciado a internalizar um Pai Simbólico (o Pai Morto do Banquete Totêmico - aquele que depois de assassinado foi transformado em símbolo, num Totem), para ter acesso àquilo que em psicanálise denominamos Nome-do-Pai.
A posse, ou detenção do Nome-do-Pai credencia o humano não afundar na correnteza da linguagem e da falação. Credencia o humano a distinguir um mamão de uma mão. O Nome-do-Pai é condição sine qua non para a eficácia do Pai Simbólico.
Para o humano, é este “tipo de Pai” que deve estar e muito bem internalizado. Vale dizer, simbolizado. E Lula, ao que tudo indica, o tem, o possui. Não há dúvidas.
Afinal, temos aquelas outras lulas que não falam. Mas este Lula fala; estudou no SENAI; formou-se torneiro-mecânico, casou. É pai, isto é, tem seus filhos. Lula chegou a fundar um partido político, ou seja, é o Pai do PT. Isso não é pouco! Aqui uma pequena digressão: Peter, na língua francesa é um verbo regular. Verbo que traduzido significa Peidar. Em assim sendo, Lula pai do PT é o Pai do Peido. E seu governo está se portando tal qual. Ou seja, efêmero, sem contudo deixar de causar o inevitável porque certo, mal-estar.... ou mau-cheirar... Oh! lores. Oh! dores....
Mas saiamos dos “flatus voices” e retornemos: Então, um Pai Simbólico ali (na subjetividade “Lulina”) deve haver. Pode não estar presente em carne e osso, como se diz, mas Lula tem sim um Pai. Ausente enquanto pessoa, mas presente enquanto representação, sem dúvida.
Em se tratando de Pai, isso enseja que possamos tecer algumas comparações. Neste sentido, pode-se afirmar que o Pai de Lula (de quem nada sabemos) foi um pai diferente daquele do Collor.
O Pai do Collor (Sr. Arnon) era um Pai sem Lei. O Sr. Arnon cometeu um assassinato no interior do Legislativo enquanto era Ministro do Trabalho da era Getúlio. Todavia, nem por isso perdeu (sequer) a licença para o porte de arma, ou foi cassado em conseqüência do seu ato. Ao nomear sua prole, Arnon transmitiu aos seus filhotes da ditadura os nomes da sua substância familiar, Leopoldo, Fernando e Pedro. A transmissão, que sempre é peremptória, fez sobredeterminar a progênie, ou seja, Fernando Collor nomeou seu primogênito como Arnon e seu irmão Pedro, por sua vez, nomeou seu primeiro filho como Fernando.
Fernando Collor quis ser Arnon e como primeiro pilar para a sua empreitada política casou com a filha (Rosane) de um Senador também assassino e impune.
Ao tornar-se Presidente, e utilizando-se de numa metáfora bélica na sua primeira declaração a respeito de como acabar com a inflação afirmou “só ter uma bala na agulha”. E com aquela bala na agulha, Fernando Collor “montou” sua equipe.
A montagem desta equipe desagradou alguns e para contornar aquele mal-estar Collor optou por diminuir o gozo do irmão que à época era o “manda-chuva” nas Organizações Arnon de Mello.
Este movimento fez com que Pedro e as Organizações implodissem. Fernando Collor poderia ter dito que estava “cortando na própria carne” quando acabou com o gozo de Pedro ceifando-o da direção daquelas Organizações.
Este ato seria o índício mais claro daquilo que estaria por vir. Ou seja, não muito tempo depois e num ato autoritário e criminoso, houve o confisco da poupança do povo brasileiro. Ato seguido, o capital compulsoriamente retido não foi corrigido monetariamente e tampouco devidamente remunerado com os juros. E tudo isso dentro de uma determinada “lei”. Os vestígios estão ainda hoje presentes.
Então Pedro descontente denuncia Collor e suas ligações com PC Farias. E a casa da Joana, aliás, da Dinda vem abaixo. A corrupção estava denunciada.
O interessante é que em nenhum outro governo anterior foram editadas tantas leis contra a corrupção quanto no governo Collor. Mas mesmo assim, advieram os “anões do orçamento”. Novamente a questão dos filhos bastardos, preteridos e explusos da Horda Primeva?
Na tentativa de salvar-se, Collor definiu Pedro como tendo problemas mentais, ou seja, que algo ia mal na cabeça do irmão. Mas de nada adiantou. Tudo veio à tona. Com a mesma e “única” bala na agulha, Collor pensou em dar um tiro na própria cabeça. Gravou até uma fita cassete com “instruções” para o depois da deflagração da “única” bala. Não chegou a perpetrar o auto-extermínio. E num último esgar (verdadeiro ato de desespero), convocou a população para apoiá-lo. Convocou o povo brasileiro a sair à rua vestindo verde e amarelo. As cores da pátria. O povo vestiu-se de negro. Collor foi deposto. PC Farias assassinado. E ingenuamente ousamos pensar que o Brasil agora estava limpo.
2005. Por conta de prejuízos e dificuldades em vencer licitações, um empresário registra um ato de corrupção. O Sr. Marinho (que assim como às lulas, também se refere ao mar, ainda que de forma diminutiva) nos Correios e avidamente embolsa R$ 3.000,00 (três míseros mil reais). E o faz declarando que quem está por detrás de tudo aquilo é o Sr. Roberto Jefferson.
Denunciado e na condição de réu confesso, paradoxalmente Roberto Jefferson se insurge como o defensor número um do Presidente Lula, e abre o período de caça. Opta por abrir todo o jogo e levar alguns consigo. Uma vez mais os eflúvios dos periféricos à Horda?
Vem à cena PCs Farias renovados; Delúbios, Waldomiros e Marcos Valério com “seus” milhões de reais para ser distribuídos entre os pares. Iniciava-se assim, o cozimento do Pai Lula.
Por seu turno, o Senador Arthur Vergílio esfrega frenéticamente as mãos e assiste de camarote o sangramento do Lula Presidente. Ele adora ver Lula assim e goza com isso. Ele quer (e afirma pereptóriamente e com ares patrióticos) que Lula vá até o final do seu mandato sim. E Lula irá até o fim do seu mandato. Sangrando, é lógico. Morrendo aos poucos. Bem aos moldes do tratamento perverso e para regozijo do Arthur e de uma alcatéia que na atualidade compôe e integra uma irresponsável oposição....ávida por retornar ao Poder.
Mas ninguém sabe até agora de onde veio todo aquele dinheiro. E quem “cavocou” todo aquele numerário. Assim como, em tempo algum se ouviu falar de tanto dinheiro correndo “por fora” das contabilidades como agora.
O país está impactado e o nosso Presidente (impedido de se pronunciar) dá conselhos aos hipertensos. Diz que eles devem fazer exercícios, se movimentarem, não ficarem parados. Projeção da sua condição? Ou uma convocação metaforizada e tímida, porque deslocada (no sentido psicanalítico do termo) aos moldes daquela do Collor?
Não se sabe.
O que se sabe e que é mais do que evidente, é que se trata de uma repetição. Assim, há que se perguntar: Qual será a atitude futura do quase “blindado” Lula?
Penso que a resposta para esta questão seja extermamente fácil e apropriada para o rigozijo da oposição no atacado e no varejo do Senador Arthur Vergílio, ou seja: “– O Lula “blindado” só poderá permanecer imóvel, Uai! E é assim que nóis qué ele, hehehehehe”...
E é nessa condição que toda a atual oposição quer ver o Presidente. E com ele o Brasil. A nossa nação e o povo, por decorrência.
Forçando um pouco a “barra” e guardadas as devidas proporções, isto não se assemelharia àquela deliberação sobre a morte do Pai da Horda Primeva?
Seja como for, e sem qualquer pretensão profética, se pressente um fim trágico ainda não realizado nesse país. E a esta altura do campeonato, a articulação perversa da lei perde a conta da sua parcela de gozo que, no seu cálculo, seria reintegrável. Uma cassação aqui, outra ali e acolá serão suficientes? E serão efetivadas?
As conseqüências são imprevisíveis.
Mas como não poderia deixar de ser, nisso tudo há um resto. Existe aí um dejeto. Esse dejeto, infelizmente e mais uma vez, é o povo brasileiro. Nós, os índios.
Nossa perda agora não é o confisco de poupanças. Afinal, o dinheiro sempre pode ser reposto. E é de tão fácil reposição ou substituição porque dinheiro não tem identidade. Tanto é assim, que os palacianos se pautam tão somente nele e por ele. Votam em matérias que não concordam mas simplesmente porque suas mãos foram “molhadas”. Foram pagos. Ou seja, cobraram para fazê-lo. Da mesma forma e com a mesma destreza e irresponsabilidade votam ao bel prazer seus próprios salários. A eles acrescem verbas de representação, de gabinete e outras mordomias enquanto o salário é o mínimo, e para a maioria dos brasileiros.
O descaso com o erário público é evidente. Há então, e como sempre, frise-se, um descaso com o nosso dinheiro.
E são cinqüenta e quatro itens de impostos nesse país. E mesmo assim há uma insaciabilidade pelo vil metal entre os políticos brasileiros a ponto de o dinheiro ser transportado em cuecas e malas tamanho o seu volume.
Então a situação da nação brasileira e ao nosso modo de entender, se revela muito mais grave. Pois aí existem perdas. Não uma perda qualquer. Trata-se da perda da fé nos homens públicos. Perda de fé na política e na ética. Perda da crença na honestidade.
Trata-se da perda de perspectivas para um futuro em que o trabalho seja de fato dignificante nesse país. Que o trabalho aqui realizado reverta para os, e em benefício dos brasileiros. Trata-se do anúncio que no horizonte político brasileiro haverá uma morte simbólica. Mas ainda que simbólica (ou, ainda bem que simbólica), se evidencia a possibilidade da morte política do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, assim como a morte de um estilo e da marca ostentada por mais de vinte e cinco anos pela sua criação, o PT.
Que por conta disso tudo não haja mais mortes reais  como a de Celso Daniel em Ribeirão Preto por exemplo  é o que se estima. Pois enfim, se a morte do Pai da Horda Primeva pôde ser transformada em algo diferente, ou seja, na configuração dos primórdios da religião e da civilização, que as mortes simbólicas atuais resultem e produzam algo novo. Algo diferente. No mínimo, no discernimento que um Diploma (resquício da participação no Banquete Totêmico, aquele que credenciou fundar as religiões e a civilização) possa ter maior significado e valor que o conchavo político, que a maracutaia, que a corrupção.

Mario Diógenes Poplade – Psicanalista - Curitiba-Agosto-2005

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