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   > Fim



Neilza Alves Buarque Costa
      CRôNICAS

Fim

Finalmente o fim. O fim e seus contrários. A finalização e seus reverses. Encerram-se as cortinas. Acabou o espetáculo. Sem choro e sem velas. Opa! Sem choro e sem velas?! Nem sempre há a ausência do choro e vela. Às vezes há choro, vela, ataúde, missa de sétimo dia e o luto de 6 meses. Entretanto, há fins que nos remetem a lançar fogos de artifícios. Há quem encomende até banda para tocar na praça. Gargalhadas de júbilo. Até encomenda de missa de ação de graça! Isso para agradecer a entrega final, o último adeus. O fim estabelece um novo recomeço.
Recomeço: A vida é feita de ciclos. Ciclos que se abrem e que se fecham. Ciclos que cruzam e se rompem...
Quando saímos da primeira infância vamos para a segunda, que passa para a primeira etapa da adolescência e que vem logo a segunda, a juventude, a vida adulta, a velhice e a morte.
E a morte? A morte é apenas o fim para entrarmos em um novo começo. Do outro lado fica mais difícil falar. Quando eu for, sei lá quando. Quem sabe eu escrevo algo para postar e comunicar a vocês sobre isso, hein! Com o avanço da tecnologia quem sabe não se facilite a comunicação com os mortos. Vá lá saber.
Há fins que nos remetem a dores, ou provocam saudades. Fim de uma boa fase na vida. O adeus de amigos ao concluir o colégio, faculdade. Fim de amizades por traições ou porque a vida nos afasta. Fim de um bom trabalho. Fim da vida de um ente querido. Fim de uma história amorosa... Todos os fins nos desafiam a enfrentar o novo. Uma nova vida. A enfrentar os medos do recomeçar, refazer, reeditar. De projetar novos sonhos, construir novas estradas, olhar com outros olhos e ver novas veredas... Como recomeçar? Por onde? Reaprender a andar sozinho não é fácil. Sem ninguém para encostar o braço. O fato é que as quedas são inevitáveis.
As asneiras cometidas. Os erros imperdoáveis. Como parar de fazer merda? Uma pergunta um tanto escrota. Mas tento responder: Talvez nunca. Nunca?! Não, nunca é muito tempo. Talvez nem tão cedo. Ou em breve. Acho que só paramos de fazê-la com a morte. O que mudará é o tipo, a consistência... Que horror! Deixa em melhorar isso, só paramos de fazê-la quando se fecha o ciclo da vida.
Se sentir só para recomeçar requer força e energia. Confesso que às vezes me falta um pouco e necessito de ajuda para recarregá-la. Aprendo cotidianamente que é na solidão, com o nosso próprio silêncio que nos encontramos, não importa o tempo que leve, mas é na solidão no silêncio interior que este encontro acontece.
Às vezes atos desesperados nos levam pedir ajuda de maneira desajeitada, imprópria. E só depois nos deparamos e nos perguntamos: Que foi isso que eu fiz??!! Essa conclusão gera outros ciclos de sofrimento. Ou de bruto sorriso pela imbecilidade gerada. Esse é o recomeço gerado pelo fim. A mácula implantada só o tempo poderá tirá-la do lugar. Ou com muita sorte substituí-la...
O fim do recomeço. O fim da alegria. O fim do sonho. O fim da tristeza. O fim do fim. É apenas um fim de uma etapa. O que virá depois ninguém sabe. Só a construção dos recomeços, e suas finalizações para poder explicitar os finais e suas conclusões que ocorrem na vida perenemente.
 


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