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   > Amortecedor



Antonio Aparecido Rauedi Matheus
      CRôNICAS

Amortecedor

 

Foi detido nesta tarde, no centro da cidade, um rapaz negro, de iniciais M.J., que, segundo a polícia, sofria um ataque de esquizofrenia, grave doença mental, vindo a incomodar pedestres e comerciantes do local. Segundo testemunhas locais, o rapaz, que vestia terno branco e chapéu, contorcia o corpo com requebres e passadas estranhas, acompanhados de movimentos eufóricos dos braços e gritos agudos.

Questionado sobre um possível abuso de autoridade devido a prisão do rapaz, o comandante da Polícia Militar disse ter tomado a decisão de prende-lo para protegê-lo, pois, segundo ele, o motim de pessoas aglomeradas no local zombavam-no e alguns abordavam-no com pequenos beliscões. Ainda segundo o comandante, o rapaz encontra-se detido em cela separada, e devido a ausência de familiares que o reclamem, encontra-se ao dispor de decisão judicial.
 
Triste não?......Seria trágico se não fosse cômico! Isso foi o que foi dito, mas será mesmo verdade? E se lhes dissessem que se trata do ídolo pop Michael Jackson fazendo um pequeno show em praça pública? Diriam: Não! Imaginem...... Talvez porque o cantor pop dance mais bonito não?.......Embora as mímicas e trejeitos de ambos sejam praticamente idênticas!
É neste paralelismo sarcástico que vivemos, trabalhamos, criamos leis, e o principal, somos informados. E assim sendo, tal paralelismo conotativo torna o ofício do repórter, do jornalista e do editor imensuravelmente importante.
 
Amortecedor.
 
Sendo silábicos, a fim de facilitar o entendimento, da questão, como imporíamos essa “notícia” ao público?
 
Amortecedor.
 
O jornalista do “Correio de Shakeapeare” leu a palavra e disse aos leitores: Amor!
Já o jornalista do “Correio de Schoppenhauer” leu a palavra e em tom descrente disse aos leitores: Morte!
Um outro jornalista do “Correio da Notícia”, que sofria de câncer leu a palavra, e tomado por razões pessoais, disse aos leitores: Dor!
 
Amortecedor.
 
A grande diferença entre Uma Coisa e A Mesma Coisa é a maneira com que olhamos para ela.
Assim, apaixonados e poetas extraem apenas o radical Amor do composto Amortecedor, assim como pessimistas e desiludidos, da escola de Nietzsche, Schoppenhauer e Augusto dos Anjos extraem apenas o radical Morte do composto Amortecedor. E agora, o pior: Aqueles cujos quais encontram-se tomados por razões pessoais tornam-se totalmente parciais e imputam aos leitores o que nada apraz do ofício, e extraem apenas o radical Dor do composto Amortecedor.
Há ainda, dentre uma seleta gama de leitores, cujos quais possuem discernimento, que mesmo diante das contendas amáveis dos doces poetas, empenhados em adoçar o fel da notícia árdua, mesmo diante dos incontáveis pessimistas, empenhados em minimizar as conquistas olímpicas, gotejar o suor dos atletas, banalizar os áficites da economia, e mesmo diante das calorosas impressões pessoais dos partidários, conseguem cedo enxergar a verdade por detrás da notícia, conseguem cedo enxergar o curto radical escondido por detrás do monossílabo. Cedo.
Amortecedor.
 
Cedo. Sim, ainda é cedo. Não é tarde para adquirirmos consciência social, política e literária. Tornarmos-nos parte do espetáculo ao invés de meros espectadores da dramaturgia da informação.
Existe, na Psicologia, um segmento interessante da mesma denominado Psicodrama, onde cada qual experimenta as situações alheias senão um tema proposto para cada doente ou interessado em adquirir novas vivências.
Se aplicássemos o contexto psicodramático ao contexto jornalístico, talvez tivéssemos uma sociedade muito mais interessada na arte da notícia, dos jornais e das revistas, pois deve ser muito chato apenas torcer não é mesmo?
Aquele gol que você diz que não perderia, aquela mulher de parar o trânsito passando na sua frente, aquele deus grego sentado na mesma sala de espera que você garota, aquele asno trabalhando onde você, o bom na coisa queria trabalhar, aquela garrafa de cerveja geladinha que você viu na vitrina, mas estava sem dinheiro porquê deu de esmola àquele maldito garoto de rua com olhar penetrante! Pois é, ele a comprou, e está saboreando-a! Não é mais ou menos assim que se sente o leitor ao ler algo que sabe que está faltando algo, ou que tem coisa demais, exagero, ou que ele próprio sabe mais da notícia do que foi informado?
Que tal passar o dedo na cobertura do bolo? Que tal soltar aquele pum preso no carro ao lado da namorada? Que tal gastar todo o salário “naquela” bolsa de pele de jacaré?
Muitos podem ficar extremamente felizes, quando, diante da mais insignificante notícia ou coluna dizerem: Nada a declarar! Sim, enquanto outras moscas brancas, diante da mais trabalhada notícia ou coluna sempre têm algo a acrescentar.
É preciso inovar. Bem disse o goleiro: Eu vou defender otário! Se chutares no canto esquerdo eu pegarei, se chutares no canto direito, também pegarei, e se chutares no meio do gol, aí então que eu pego mesmo idiota! O idiota então disse ao goleiro: Pega então imbecil!
E chutou para fora............
Talvez participar nem sempre seja a melhor opção, talvez muitos, ao dar sua opinião, ao fazer retóricas ao exímio colunista nem sempre promoverão a cultura, não é mesmo?
Mas o que seria dos jogadores sem a torcida não é mesmo?
Afinal, num país onde semi-analfabetos podem “votar”, suponho não ser de todo o mal recolher emendas e contendas retóricas de leitores dessa revista não é mesmo?
Se ferrenhos cavalheiros da boa informação não fossem os leitores dessa revista, não perderias tempo em lerdes tais entrelinhas do grosso vocábulo não é mesmo?
Por isso mesmo, convido-os, leitores, a dar sua opinião sobre as colunas que escrevo, pois aqui tudo é possível, Amor, Morte, Dor e vos digo: Ainda é Cedo.
 
Amortecedor.
 
Antonio Aparecido Rauedi Matheus.
 
 
 

 

 


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