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   > Que idade temos?



Amarilia Teixeira Couto
      ARTIGOS

Que idade temos?

Acabei de fazer aniversário.E como sou uma mulher “madura”, admito que o passar dos anos me incomoda um pouco.Sei que essas inquietações da idade muitos as sentem, até porque vivemos numa sociedade excludente onde somente quem é jovem tem vez.E mesmo que na prática facilmente se comprova que a experiência sempre faz um diferencial positivo, ainda somos reféns de uma mídia poderosa que privilegia os corpos sarados e o frescor da juventude em detrimento do conhecimento e do talento.Onde quero chegar? Sempre preciso fazer uma pausa, pois tenho tendência à prolixidade e quase sempre me perco em minhas considerações.É que na verdade acontece um fenômeno com as mulheres(ou será que é somente coisa minha?).Quando a gente vai se conhecendo um pouco mais, quando a nossa autoestima é trabalhada e vamos desfazendo nossas amarras, a gente vai se “achando”.Passamos a nos ver mais bonitas, fazemos as pazes com o espelho, passamos a nos aceitar como somos e nos descobrimos belas e “prenhas” de amor.Então fica estranho, pois a gente ouve (e muito!) que isso não pode pra certa idade, que aquela roupa não fica bem em fulana, que aqueles cabelos longos estão ridículos em sicrana e que...Bem.Os estereótipos estão aí, fazem parte dessa sociedade moralista e eternamente debutante.No entanto , eu me vejo mais bonita agora do que fui outrora.Não quero meus vinte anos de volta.Nunca quis.A minha nostalgia se resume(creio eu), mais no que é imposto pelos outros e que, apesar de meu crescimento pessoal ainda me incomoda, do que pelos anos somados na minha identidade.Dou graças a Deus por ser quem sou.E cada vez mais conheço pessoas lindas que se tornam cada vez mais lindas com o passar do tempo.É como se a ternura verdadeira, a amorosidade plena só fosse possível depois de muito caminho trilhado, depois de muito choro, de muitas batalhas com a vida e, principalmente, depois de muitas contendas com nós mesmas.Aí a gente fica assim, como me sinto agora: mais velha fisicamente, oficialmente, mas com um brilho nos olhos, com um sorriso resgatado que há muito se perdera.Me sinto mais menina que antes, mais mulher do que fui e com qualidades recém-descobertas que me conferem um status nunca antes alcançado.
Ah, essas inquietações...

 



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