Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (217)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2528)  
  Resenhas (129)  

 
 
Geométricas-03-217
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)



Minha Linda Normalista
Ingrid Regina...
R$ 50,30
(A Vista)
INDISPONÍVEL




   > Flores ao despetalar



Arlete Meggiolaro
      CRôNICAS

Flores ao despetalar

Impacto? Não sei se o termo abrangerá as comoções vivenciadas. Desde o confronto entre o nu e o vestido até as salas com os gritos e os contrastes de almas. Em algumas destas imagens refletiam a potência da miserável vida, noutras da escravidão interior, umas com a natureza extinta, e, ainda, as das vicissitudes que o tempo se encarregou de dar passagem. Sem esquecer daquelas onde espelham a beleza da fé ao Oxum. Aqui, as riquezas interiores de cada mãe de santo explodiam em coloridos fotográficos.

Dentro e fora dessa monumental obra arquitetônica, a Pinacoteca, a principio os interesses pareciam semelhantes, entretanto, notava-se a adversidade.

Ao atravessar o portal, a arquitetura colidiu com o meu perfil. Identifiquei-me com o artista da soberba obra - Ramos de Azevedo. A arte não estava, tão somente pendurada, mas sim na estrutura de um quase coliseu. Tanto o rústico nu – dos tijolos aparentes - quanto os revestidos, daquelas colossais paredes, recepcionaram-me abertamente. Festividade!...

Este deslumbrar condimentou a percepção para as realidades estáticas e vivas. Eu deparei com a exteriorização do sopro vital aprisionado entre a cela moldural.

Diversos arquétipos andavam pelas alas. Notei que alguns contemplavam com interesse, outros fitavam sem ver, e aqueles que tentavam exibir conhecimento. Dos olhos de poucos visitantes fluíam as almas emancipadas.

Ali, dentro do museu, quatro mil peças expostas, entre quadros e esculturas, dos renomados artistas. Lá fora, no jardim deste monumento, o tão conhecido Jardim da Luz, eu pude avaliar a maior das produções emoldurada pelo gradil que cerca o espaço. Entretanto, não vi nenhum pintor com a tela sobre o cavalete, e nem a paleta com as matizes do submundo.

Neste parque que outrora a elite paulistana se deleitava com a natureza, condoeu-me observar em vários canteiros as meretrizes, de olhares tristes, cravadas na gramínea. Sem a adubagem.!...

O chafariz, golfando incessantemente a mesma água, pareceu-me mais feliz em sua rotina do que as mulheres da tosca vida. Eram flores ao despetalar, que aguardavam a colheita para um destino qualquer.

De uma delas eu não olvidarei a estampa.. No instante que ela começou a jornadear, acompanhada pela desgraçada solidão, propôs-me a idéia de estar em busca dos seus próprios cacos.

Colisão, abalroamento, impacto dos impactos sociais. Cadê o pintor desta tela - o desmoronamento humano do sistema?

Bem ali, na parte externa da lanchonete o horto. Árvores centenárias e flores derrocadas. Ao redor das mesas, os talentosos desfrutavam do convívio grupal. Certamente, eles fotografavam o paisagismo existencial com a câmara intelectiva.

CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui