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   > Flores ao despetalar



Arlete Meggiolaro
      CRôNICAS

Flores ao despetalar

Impacto? Não sei se o termo abrangerá as comoções vivenciadas. Desde o confronto entre o nu e o vestido até as salas com os gritos e os contrastes de almas. Em algumas destas imagens refletiam a potência da miserável vida, noutras da escravidão interior, umas com a natureza extinta, e, ainda, as das vicissitudes que o tempo se encarregou de dar passagem. Sem esquecer daquelas onde espelham a beleza da fé ao Oxum. Aqui, as riquezas interiores de cada mãe de santo explodiam em coloridos fotográficos.

Dentro e fora dessa monumental obra arquitetônica, a Pinacoteca, a principio os interesses pareciam semelhantes, entretanto, notava-se a adversidade.

Ao atravessar o portal, a arquitetura colidiu com o meu perfil. Identifiquei-me com o artista da soberba obra - Ramos de Azevedo. A arte não estava, tão somente pendurada, mas sim na estrutura de um quase coliseu. Tanto o rústico nu – dos tijolos aparentes - quanto os revestidos, daquelas colossais paredes, recepcionaram-me abertamente. Festividade!...

Este deslumbrar condimentou a percepção para as realidades estáticas e vivas. Eu deparei com a exteriorização do sopro vital aprisionado entre a cela moldural.

Diversos arquétipos andavam pelas alas. Notei que alguns contemplavam com interesse, outros fitavam sem ver, e aqueles que tentavam exibir conhecimento. Dos olhos de poucos visitantes fluíam as almas emancipadas.

Ali, dentro do museu, quatro mil peças expostas, entre quadros e esculturas, dos renomados artistas. Lá fora, no jardim deste monumento, o tão conhecido Jardim da Luz, eu pude avaliar a maior das produções emoldurada pelo gradil que cerca o espaço. Entretanto, não vi nenhum pintor com a tela sobre o cavalete, e nem a paleta com as matizes do submundo.

Neste parque que outrora a elite paulistana se deleitava com a natureza, condoeu-me observar em vários canteiros as meretrizes, de olhares tristes, cravadas na gramínea. Sem a adubagem.!...

O chafariz, golfando incessantemente a mesma água, pareceu-me mais feliz em sua rotina do que as mulheres da tosca vida. Eram flores ao despetalar, que aguardavam a colheita para um destino qualquer.

De uma delas eu não olvidarei a estampa.. No instante que ela começou a jornadear, acompanhada pela desgraçada solidão, propôs-me a idéia de estar em busca dos seus próprios cacos.

Colisão, abalroamento, impacto dos impactos sociais. Cadê o pintor desta tela - o desmoronamento humano do sistema?

Bem ali, na parte externa da lanchonete o horto. Árvores centenárias e flores derrocadas. Ao redor das mesas, os talentosos desfrutavam do convívio grupal. Certamente, eles fotografavam o paisagismo existencial com a câmara intelectiva.

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