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   > Excesso de Rigor ou Falta de Ética?



Edinaldo Garcia
      ARTIGOS

Excesso de Rigor ou Falta de Ética?

                         
      

Já presenciei várias situações envolvendo conflitos de professores e alunos acerca de critérios na correção de trabalhos. É verdade que o professor quase sempre se vê abarrotado de afazeres: trabalhos para corrigir, provas para elaborar, notas a lançar etc. Mas o que percebo em muitos profissionais da sala de aula é que eles não corrigem os trabalhos como deveriam. Usam muitas vezes critérios duvidosos de correção fazendo pré-julgamentos do aluno e avaliando o seu trabalho tendo como base o seu comportamento em sala de aula. Como se apenas os alunos participativos fossem capazes de criar excelentes trabalhos e escrever bons textos. Se levarmos em consideração este ponto de vista, podemos concluir que alunos retraídos ou inquietos são incapazes de fazer bons trabalhos e tirarem notas altas. Essa visão é arcaica e extremamente conservadora.
        O professor que faz esse pré-julgamento do aluno tende a agir com indiferença e, muitas vezes, nem sequer lê o trabalho; quando muito, passa os olhos rapidamente e quando, mesmo assim, consegue identificar boas obras faz correções equivocadas como o meu exemplo que após ter um texto corrigido fui acusado de plágio.
       Sempre fui um aluno quieto, pouco participativo e raras foram as vezes em que questionei o professor sobre alguma explicação errônea ou algum ponto de vista, a meu ver, equivocado; sempre fui assim, a minha vida inteira fui muito estudioso, mas sempre optei por absorver informações do mundo e poucas foram as vezes em que senti prazer em transmitir conhecimento. Por muito tempo odiava debates e por muitas vezes fiz trabalhos horríveis porque sabia que se fizesse como queria não iria conseguir uma boa nota, sabia que teria que agradar o professor para não ser reprovado, pois achava mais fácil assim do que “brigar” pelos meus direitos e defender minhas ideias. Hoje, contudo, estou mudado, tenho orgulho de trabalhar como professor, mesmo que não seja efetivado, pois ainda não sou formado, mas logo estarei e serei um profissional da área da educação como meu avô e minha mãe. Acho que descobri o que quero fazer a minha vida inteira, mesmo sendo uma profissão tão desgastante. Aquele garoto quieto e pouco participativo aos poucos tem se tornado um questionador, rebelde e um sonhador.
        Lembram-se do texto supostamente plagiado? Pois bem, depois de argumentar e pedir explicação para o professor, consegui uma retratação e um pedido de desculpas por escrito, pois até mesmo ele não soube dizer de onde o texto foi tirado. Recordo-me que seu argumento foi que o trabalho não estava feito como foi pedido e que fugi do foco do assunto; quando rebati dizendo que isso não tem nada haver com a denúncia de plágio e que entre uma coisa e outra há uma discrepância muito grande, ele disse que na internet existem vários textos com pontos semelhantes, rebati novamente dizendo que queria ver estes, supostos, textos com os tais pontos semelhantes, mas ele não mostrou. Claro que não mostraria, pois subestimou minha capacidade e achou que eu não tinha competência de escrever um texto como aquele, então concluiu equivocadamente que fiz uma cópia.  
        Até concordo que alguma coisinha semelhante ele deve ter encontrado (semelhante; não igual), mas isso é óbvio, vivemos em uma sociedade conectada, ninguém tem um pensamento tão diferente que não exista outras pessoas que não compartilhem de suas teses e ideias, ninguém carrega uma subjetividade única, se existe pessoa assim o mundo rapidamente a julga como insana, maluca, doida etc. Com a velocidade das comunicações; a facilidade de pesquisar na internet, ressalto aqui o Google, pois acredito que essa ferramenta faz com que tenhamos um conhecimento muito coletivo e não nos difere tanto assim uns dos outros, todas as pessoas podem tomar posse dos assuntos mais atuais do mundo todo, e a tendência é que todos nós tenhamos um conhecimento muito semelhante, cabendo aos estudiosos a tarefa de resgatarem o valor dos livros e das bibliotecas.
        Fato é que os professores não podem julgar que um trabalho foi cópia tendo como base alguns trechos, ditos semelhantes, tirados na internet. Devem ser mais criteriosos, pesquisadores, menos conservadores, devem deixar de admirar a obediência e passarem a admirar a rebeldia intelectual, valorizar ideias novas, e pararem de achar que todo mundo deve ser como os grandes intelectuais que são objetos do estudo, assim como aquele meu professor que sempre estava estagnado e preso aos escritos de Magda Soares. Em suas aulas, o aluno que fugia das concepções da autora era tomado como um aluno ruim, o que nem sempre é verdade.  É preciso diferenciar perguntas como: Qual é o conceito de letramento segundo Magda Soares? Ou: Qual é o conceito de letramento? Reparem na grande diferença de uma pergunta e outra. Parece óbvio e é até inusitado abrir uma discussão sobre isso, mas alguns professores, e eu não compreendo o porquê, não conseguem diferenciar uma pergunta da outra. Querem que o aluno responda a segunda como deveria responder à primeira. A segunda pergunta admite um estudo paralelo um conceito mais amplo, colocar a opinião no contexto da resposta, enquanto a primeira é exata, deve basear-se nas definições do autor especifico, neste caso a Magda Soares.
        O que tento compreender é o que se passa na cabeça de um professor na hora de dar uma nota baixa ou mesmo reprovar o aluno porque este não fez o trabalho da forma que ele esperava. Quando se responde uma pergunta em forma de texto dissertativo-argumentativo, muitas vezes avançamos no assunto e vamos muito adiante do que realmente foi pedido, mas isso é motivo suficiente para o professor desconsiderar um trabalho? Essa falta de flexibilidade e saudável? Os bons professores devem ser sim rigorosos? A educação deve ser tradicional, ou devemos assumir as concepções da Escola Nova, que tem o pensador Paulo Freire como principal representante no Brasil? O que percebo no dia a dia é que estamos passando por um processo de transição que já dura pelo menos duas décadas, onde temos a mescla de profissionais rigorosos inflexíveis e profissionais dinâmicos flexíveis.
        Contudo deixarei você leitor se decidir se o professor que faz um pré-julgamento do aluno, que não lê todos os trabalhos e nem faz um exercício de reflexão acerca do nível da obra do aluno e que ainda sim julga severamente fazendo sérias denúncias sem ter bons argumentos (às vezes nenhum) é simplesmente um profissional rigoroso ou um profissional sem ética.
        Para finalizar, o texto que o professor acusou de cópia e que depois se retratou foi: A Importância do Ato de Ler e Escrever. Admito que o título se parece com uma obra de Paulo Freire: A Importância do Ato de Ler. Porém, eu não conhecia essa obra quando produzi meu texto e se conhecesse teria usado para pesquisa. Lendo a obra desse magnífico autor percebe-se que o enfoque é completamente diferente do meu texto (que até está postado aqui na Protexto), provando que o professor não deu atenção suficiente nem para o meu trabalho e nem para a obra de Paulo Freire. 



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