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   > A MÃO E A PALMATÓRIA



thelma b oliveira
      CRôNICAS

A MÃO E A PALMATÓRIA

 

O Brasil tem resquícios coloniais que ainda hoje se refletem nos costumes sociais, familiares e políticos. Como o chefe da casa era ao mesmo tempo senhor de terras e de escravos, ele se achava com direito de ‘disciplinar’ seus servos e, por extensão, os filhos. O escravo, ao errar, tinha que dar a mão à palmatória, o pescoço ao tronco e o lombo à chibata. Em casa, usava-se a palmada, o chinelo, o cinto, para deixar o ‘couro quente’. Escolas religiosas de então e de sempre usaram a palmatória e a vara para dobrar alunos rebeldes. E tudo era considerado naturalíssimo.

Nas histórias infantis há componentes sádicos do adulto sobre a criança, punições, privações, castigos. Romances de Charles Dickens são ricos em menções ao uso da vara e do chicote nos jovens alunos. Batia-se para ensinar, para fazer comer, para obrigar a estudar, para moderar o comportamento. Ao qual, aliás, correspondia nota no ‘boletim’: fala alto, conversa com os colegas, não presta atenção às aulas. Graciliano Ramos tem lembranças vívidas do quanto apanhava - sem saber por quê. Motivos não faltavam para despertar a sanha vingativa e desarrazoada dos pais e pedagogos. Até hoje se usa falar em ‘palmada educativa’ ou ‘psico-tapa’, que justificaria a ira dos adultos.

Ano passado foi lançada a campanha “Não bata, Eduque”, no Palácio do Planalto, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela apresentadora de televisão Xuxa Meneghel. A coordenadora, Eleonora Ramos, afirmou que é preciso acabar com a cultura de que a “palmadinha” é lição de educação. “Ela [palmada] é o primeiro passo de uma relação que não é eficiente e que ensina uma linguagem onde a criança só entende, só obedece com esse estímulo físico da palmada. A palmada, geralmente, deixa de ser palmada para se tornar uma agressão”, afirmou Eleonora, em entrevista à TV Nacional, da Radiobrás.

Como se pode ver na página da Agência Brasil, “Para as Nações Unidas, palmadas, beliscões e tapas são transgressões aos direitos da criança. Dezoito países modificaram suas legislações para evitar a prática. No Brasil, tramita no Congresso Nacional, desde 2003, projeto de lei que prevê o direito da criança de não ser submetida a castigo físico. A proposta já foi aprovada pelas comissões de Educação, Seguridade Social e de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados”.

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, afirmou que “educação não pode passar qualquer risco que envolva possibilidade de marcas físicas e marcas da alma”. De acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o sistema de informação da infância e adolescência do país registrou 500 mil casos de violência psicológica, física e sexual de 1999 até hoje, sendo que apenas 1% das agressões são denunciadas.

Enfim, mesmo que simbólico, o ato deve surtir algum efeito na prática, pelo prestígio inegável da apresentadora, que é vista e ouvida em todos os lares brasileiros. Quando nada, causará desconforto aos pais e educadores. Esse foi o verdadeiro “Xou da Xuxa”.
 


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