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   > Um casal um pouco estranho



Nina Petrino
      CRôNICAS

Um casal um pouco estranho

Era um homem pequeno, com corpo de touro. Não era o bicho em si, mas era desse tipo que parece um tronco. Era baixo e vulgar também. Quando falava ninguém queria estar por perto. Abria a boca e mais cuspia do que articulava palavra. Dizia impropérios como quem pede pão. Era um escândalo. E ai de quem o chamasse de anão. Ai ai ai, que anão ele não era não. E todo mundo sabia por que ele tinha horror de ser chamado de anão. Era pela outra coisa feia que ele tinha dentro de casa, mas que ele amava como se fosse a única em todo o mundo. O mais provável era que ela fosse mesmo única, porque a bicha era boa pessoa, sejamos sinceros, mas era feia como uma mexerica murcha que dá essa sensação triste na boca e depois se descarrega no estômago. Caminhava de um lado ao outro fazendo aqueles gestos ridículos que sempre o faziam parecer mais anão. Fechou a porta e saiu de casa nervoso, mas ela não sabia o porquê, nem aonde ele ia e nem queria saber. Que o diabo o carregasse. Ela já havia acostumado com todos aqueles tiques e manias dele. Depois voltava, Deus sabe vindo da onde, com bafo de cachaça e perfume de boteco por todos os lados, mas ela sabia que assim ele se sentia mais alto. Era certo, ela tinha horror aos anões. Todo mundo já sabia e o caso ficou polêmico quando um dia ela subiu no elevador e entraram dois anões. A fobia era tanta, que ela gritou e depois desmaiou. Veja bem isso: desmaiou porque subiu no elevador com dois anões, dos quais ela só era mais alta uns quinze centímetros. Engraçado que nenhum anão desmaiou por ver aqueles pêlos de bigode pintados de louro e aquelas sardas petulantes que mais pareciam sujeira.  O caso era conhecido por aquelas bandas e todo mundo sabia que era um casal um pouco estranho. Ele com pinta de touro, ela com bigode de bode. E estranhamente davam o ar de serem felizes.


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