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   > ANJO DE RUA Dione Grays



dionesio prates da fonseca
      CRôNICAS

ANJO DE RUA Dione Grays

 

 
Eu vi, juro que vi: como se dizia antigamente "por esta luz que me alumia"- Depende, isso se dia; se à noite, "por estes olhos que a terra um dia há de comer."O certo é que eu vi. Um anjo em pleno centro de São Paulo, exatamente ali na esquina da Xavier de Toledo, de costas para o viaduto, caminho da Câmara Municipal, gabinete do prefeito.

Causou-me espanto, nunca antes diante de tal criatura etérea, acostumado vê-los em gravuras, pinturas sacras, quadros de santos, revistas religiosas. Mensageiro de Deus. Não. Não trazia trombeta ã mão para chamar atenção dos ouvintes. O céu devia ter-se modernizado, comunicação via internet, enviando ëmeios", afim de atingir número maior de pessoas. Futuramente talvez contratem agências de publicidade para anunciar na mídia.

Não importa, estava lá. Imóvel. debaixo de sol escaldante. Eu suava também, andei por horas, conferi placas dos aposentados nos calçadões, agências de empregos, gastei na compra de jornais, segurei os "classificados", o resto tampou o sol, nem li; deixei currículos em várias empresas. Pensei: será que ele também perdeu colocação, virou änjo de rua?"Santo Deus, a crise chegou aos locais celestiais. Então a coisa tá brava, mesmo!

Quem sabe tentava algo numa ópera do Teatro Municipal, participar de auto de natal qualquer.. Marretava, terços, velas; vendia preces, para cada tipo de problema. Quando fiscais da prefeitura viessem, camelôs em debandada, qual a sua reação? Correria também ou desembainhando "espada flamejante"atacaria-os corajosamente? daqueles que trazem Boas Novas do Cristo, ou seria guerreiro das fileiras de Miguel, o Príncipe Vencedor, montado no cavalo branco, figura apocalíptica?

Roupas claras, aí conferia. Pele dourada, pensei que fossem para o azul claro. Compridão, esquisito de pernas longas, escondidas pelo "saião."Magricelo; teria sido daqueles pequenos gorduchos? São crianças, depois adultos? Análise herética, não me cabia saber.

Diante de tantas dificuldades resolvi pedir ajuda, oração silenciosa. Tão perto; o atendimento, talvez, bem mais rápido. De olhos abertos, mentalmente, implorei: numa multinacional, salário alto, pouco serviço; se não fosse exagero, cargo parlamentar, com todas mordomias concedidas.

Entretido na súplica não notei nuvens escuras, escureceu, aguaceiro caiu de repente; forte, granizo, espalhou-se o aglomerado, pessoas correram se abrigar sob as marquises das lojas. Inclusive o "divino ser"; mexeu-se rápido apanhou caixinha com notas de reais e moedinhas doadas pelos pedestres que o admiravam.

Dei-me conta, na verdade tratava-se de artista anônimo na tentativa de ganhar alguns trocados para sobreviver.


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