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   > ESCOLHA LIVRE E RESPONSABILIDADE



Marisa Santos
      ARTIGOS

ESCOLHA LIVRE E RESPONSABILIDADE

Como tomar realmente uma decisão efetiva, acertada e eficaz em determinadas situações que não se pode esquivar? Para o fatalista, isto é impossível, pois não faz sentido fazer seja oque for.
Fazer parte de um contexto social; tomar posturas que provavelmente no calor de um debate ou discussão, muitas vezes agradarão ou favorecerão a outrem e nunca a si mesmo, parece ser o mais coerente e apropriado; uma decisão mais responsável e madura.
A procura incansável por este equilíbrio perfeito, muitas vezes pode causar danos irreversíveis no ser, tanto emocionais como psicológicos. Pela imposição silenciosa, que irá cercear as ações, o ser humano acaba confinado a agir, condicionado por normas e regras, que são consideradas parâmetros corretos, servindo de termômetro, destas ou daquelas tomadas de decisões.
As pessoas conclamam, até mesmo com certo orgulho nacionalista, de estarem satisfeitas por poderem viver em um país livre, por ir e vir livremente; por terem o direito de fazerem suas escolhas; onde trabalharem ou estudarem, ou até mesmo se divertirem, etc. etc...
Mas é na maturidade, [não relacionada a idéia de tempo cronológico dos anos; mas a maturidade do intelecto], que tais pessoas, ao observar o contexto onde estão, no aquém, e o que virá mais além, no futuro, descobrem respostas estarrecedoras. E então se perguntam: Porque devo agir desta e não de outra maneira? Se sorrir , qual foi a causa??? Acaso estava com vontade ou foi somente para manter meu “statu quo? È certo que seria muito mais por imposição e não por livre escolha, a fim de parecer um ideal perfeito, sem lagrimas; dores ou sofrimentos. E quando o pranto os alcançar? Haverá questionamentos ou veredictos que o momento não é adequado a isto ou aquilo. Porque não chorar quando se tem vontade, seja na hora da dor ou da alegria? A liberdade do ser humano é relativa, e o esforço em aparentá-la absoluta, causando um desgaste aniquilador em suas forças físicas e emocionais.

O autor Carlos J. Moya, em seu livro intitulado The Philosophy of Action, traz a seguinte sugestão: 

“Encontramos uma conexão ainda mais direta entre o conceito de ação e conceitos como responsabilidade, culpa, bem e mal. Se há algo pelo qual somos responsáveis, então deve haver alguma coisa que depende de nós, algo que podemos fazer ou que podíamos ter feito.”

Baseada nas proposições da Ética aristotélica, a verdadeira liberdade gera virtudes, que conseqüentemente leva ao bem, mas o entendimento deve estar coligado a um paradoxo de um processo cíclico. É o bem que escolhe a virtude livremente, e é trabalho desta, direcionar corretamente as ações de liberdade. Deste triangulo amoroso, entre liberdade, virtude e bem, nascerá o amor, que servirá de incubador permanente para o bem absoluto, e esta é a essência da moral. 
A impressão é que esta liberdade relativa, não faz parte do campo ético filosófico moral, mas esta mais voltada para o campo da psicanálise, isto é, analisando todas as vertentes da vida de uma pessoa tolhida de seu verdadeiro ser, percebe-se que: se a virtude não esta “hibernando” dentro de si, conseqüentemente esta possui a capacidade do intelecto, de optar pelas melhores escolhas, desde que sejam de censo comum, bem... isto é o que a sociedade requer de cada um. 
Em varias situações de decisões, respira-se fundo; endireitam-se os ombros, procura o melhor ângulo do seu visual para os “espectadores” apreciarem, a fim de parecer muito inteligente; impõem-se aos lábios um “sorriso de paisagem”, e escolhe “acertadamente”, para o bem geral. Logo a seguir, os holofotes refletem esta decisão entre aplausos; bajulações e congratulações. E por um minuto; um minuto apenas, pensa-se ter encontrado a dita felicidade. 
Mas tal como as aparências enganam, assim também é o coração do ser humano, ele trapaceia, mente; engana e depois o nocauteia.
Neste momento cabe uma reflexão: Será que tal decisão foi acertada? Não lhe parece que em seu íntimo, resolveria de outra maneira?
Diante de um sistema que espera muito de cada um [desde que atinja sua expectativa], as pessoas muitas vezes são manipuladas e conduzidas a agir ao contrário do que realmente gostariam.
E quando estas decidirem em debates abertos e adversos; fazerem uso da capacidade de decisão e discernimento em escolher; causando “provocação”, ou seja, instigando as outras a falarem o que realmente sentem; provavelmente seria motivo de escárnio e repudio.
Qual seria então o “divisor de águas”, entre escolher uma ação livremente, baseada em convicções de vida, ou agir de acordo com padrões pré-estabelecidos, que tornam as pessoas moralmente respeitáveis e responsáveis em tomadas de decisões?
O cerne da questão na hora da decisão, é a duvida que muitas vezes impede o agir, e transita na questão de saber se é verdade que temos livre escolha ou se é verdadeiro o determinismo universal. Acreditar que mesmo se não agir, tudo fluirá como pré determinado é comodismo de ação. Ao escolher ser apenas contribuinte de opiniões ao invés de agente, ou até mesmo não opinar simplesmente, é efeito de acomodação e abdicar do seu direito de ser um agregador de valores.
Estar conectado em tudo que se passa ao redor seria armazenar bons argumentos na hora de agir e de formar opiniões, e é certo que quanto estas decisões aparecerem, seguirão uma bússola sensorial interna, que rege os pensamentos e padrões morais, e que cada um sabe qual é o lugar ocupado por ela dentro de si, e apontará o “norte” a seguir; mesmo em meio às tempestades e tormentas.
A vontade soberana, que rege as decisões que resultaria em melhores ações, só parecerá fraca, quando este agir for compelido somente a satisfazer os desejos e vontades somente do outro , mesmo parecendo ser de censo comum. Não terão valor em si mesmo, se não estiver incluída nelas.
Decisões são tomadas quase que diariamente, em mesas de bares, mesas suntuosas, simples ou até mesmo na falta delas. Muitas vezes os alicerces de muitas decisões são feitos somente com areia movediça; não tem sustentação alguma, os sentimentos que foram levados em conta no momento, foram egoístas, altruístas e hedonistas [é claro, que isto não se trata de um padrão geral de conduta].
Manter a percepção bem aberta às possibilidades é importante. Não se deixar levar a qualquer “vento “de opiniões, e buscar força suficiente em si mesmo a fim de agir com inteligência e equilíbrio, é a chave de tudo.
Não são poucas as pessoas, que em momentos de opressão; quando são impelidas a agir contrariamente do que pensam; sentindo-se impotente diante da situação, sentem um enorme “bolo” na garganta, que não sai e nem desce, ou aquela sensação que tem um “bicho” dentro de si, prontos a devorar qualquer um que chegue mais perto; ou mesmo daquele desejo incontrolável de “voar” no pescoço de alguém e “esganá-lo”.

Provavelmente é neste momento crucial da vida, que se parece ter acertado, mas errou, ou vice-versa, depende muito da lente angular que observa. Mas a única certeza são as conseqüências, que parecem tão óbvias, tão absolutas.
Percebe-se muitas vezes que a chave que abrirá o segredo da real liberdade, esta bem diante dos olhos, ou melhor, dentro de cada ser humano. 
As adversidades e o excesso de adrenalina consomem as energias do ser humano, mas pode desgastá-lo ao ponto de não perceber o momento certo para agir, tomar as rédeas de uma situação e decidir consciente e acertadamente.
Não cabe aqui fazer juízo de valores e decidir se é imoral ou moral, certamente não se pode prever isto, somente o tempo revelará os resultados dessas, destas ou daquelas ações.

1 The Philosophy of Action, Polity Press, Oxford, 1990, p. 1-2- MOYA,Carlos J. -Tradução de Vítor Oliveira

2A idéia de que uma descrição completa dos fatores causais garante o que acontecerá a seguir.



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