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   > A Rua dos Textos



Kate Lúcia Portela de Assis
      CRôNICAS

A Rua dos Textos

Na semana retrasada, recebemos, no templo religioso que frequento, um morador de rua. Enquanto uma senhorinha lhe preparava uma comidinha toda especial, eu fiquei ouvindo suas histórias de caminhoneiro que, por sinal, são bem mais verossímeis que as de pescador.
Após a refeição, ele me deu um papel e solicitou que eu o entregasse ao meu esposo. Este o havia atendido nas ruas, juntamente comigo e com o grupo de distribuição da sopa. Passei o bilhete para as mãos do meu companheiro.
Transcorrido um tempinho, meu marido voltou com uma jaqueta preta, quase de couro, que o homem vestiu com satisfação.
¯ Está parecendo um motoqueiro! ¯ brincou meu esposo.
O caminhoneiro achou graça e rimos todos juntos.
A cena da refeição, das histórias e do bilhete se repetiu na semana passada. Então, eu acabei fazendo uma pergunta a esse irmão.
¯ Por que você escreve seus pedidos?...
¯ Porque eu tenho vergonha...
Nossa, como eu me identifiquei com essa resposta...
Na verdade, quando eu escrevo, também estou pedindo algo: atenção.
Pura carência literária!...
Além disso, sempre gostei de revelar meus sentimentos e interagir com as pessoas que amo por meio de textos, escritos por mim ou não, justamente por sentir vergonha de fazê-lo mediante uma interação face a face. Sou do tipo que adoraria ter um pombo-correio!...
A teoria que subjaz essa minha prática é a de que alguns textos são como sapatos: têm o nosso número!
Então, quando encontro ou escrevo um texto que tem o número de um familiar ou amigo, eu o imprimo como se fosse em papel de presente.
Já presenteei um amigo com um saquinho colorido cheio de poemas, já colei pegadas no chão, que levavam a um cartaz romântico escrito por mim, já escrevi cartas de desabafo endereçadas a mim mesma, já dei carinho em forma de livros (e muitos!)...
Ainda vou contar essas histórias ao meu amigo caminhoneiro...
Ele não sabe, mas moramos na mesma rua!...
 


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