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   > MINHA PRIMEIRA COMUNHÃO



IVETE FLORES CATTA PRETA RAMOS
      CRôNICAS

MINHA PRIMEIRA COMUNHÃO

 
               Tinha quase nove anos. Fui criada na religião católica. Meus pais eram muito religiosos.
               Quando se aproximava o Natal, eles promoviam lá em casa uma novena. Além da família, os vizinhos também participavam. Após a novena, eu me sentava ao piano e tocava várias músicas sacras, inclusive a Ave Maria de Schubert. Todos me aplaudiam, dizendo que eu executava com técnica e sentimento as partituras.
     
               Quando completei meus nove anos,  minha mãe me informou que a Diretora da minha escola, Da. Neide Arruda Leal, desejava que seus alunos da terceira série fizessem a preparação para a primeira Comunhão com as catequistas da Igreja Matriz.
              Todos nós nos inscrevemos para as aulas de catecismo. Eu era ingênua e pura. Não tinha uma noção bem clara do que era pecado, apesar dos ensinamentos que recebi de minha mãe sobre religião. Lá no catecismo começaram a nos ensinar os mandamentos de Deus, da Igreja, os Pecados Capitais, a Bíblia Sagrada, constituída do Novo e antigo Testamento, enfim, tudo que dizia respeito à religião católica.
               Havia o coral infantil do qual eu participava e nossa regente era uma moça de nome Mônica, muito dedicada, competente e com enorme paciência para conosco. Ensaiávamos as músicas de preparo para primeira comunhão.Era a primeira chegar, para sentar-me no primeiro banco. Era exibida mesmo, não sei se era para disfarçar a minha timidez ou não.
                Os ensaios eram realizados na Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição  -  padroeira da cidade. Era e é uma Igreja imponente, de estilo gótico. Em sua frente se erguia, bem alto, o Cristo Redentor. Eu, embevecida, não me cansava de contemplar aquele monumento, para mim muito alto, talvez pela minha pequena estatura.
                Quando estávamos em pleno ensaio, apareceu lá o pároco, Padre Agostinho; com seu sotaque italiano, nos disse que já nos encontrávamos preparados para nossa primeira comunhão. Era no final de abril. Ele então designou o Dia das Mães, no segundo domingo de maio, para a realização das festividades. A ansiedade para minha primeira Comunhão foi muito intensa. Mamãe mandou preparar minha roupa na cor rosa-clara, com véu, sapatos e meias do mesmo tom do vestido. Comprou a vela com um laço de fita branco, que eu usaria para a cerimônia. 
               Nós tínhamos antes que nos confessar. Quando chegou minha vez, eu nem sabia o que falar para o padre. Ajoelhei-me no confessionário e ele me perguntou quais eram meus pecados. Eu falei, como uma maritaca, tudo o que de ruim eu achava ter feito, como: desobediência aos meus pais, brigas com meus irmãos, pirraças, enfim, pecadinhos sem muita importância. O padre me deu a absolvição e me mandou rezar  três ave-marias .Estava perdoada por Deus.
                Enfim,  chegou o dia da tão esperada primeira Comunhão.  
               A nossa Diretora quis pessoalmente acompanhar-nos naquele dia tão importante para nós. Chegou à Igreja mais cedo e ordenou fizéssemos uma fila, ficando os meninos de um lado e as meninas do outro Na hora aprazada, entramos solenemente pelo corredor principal da Igreja, com as velas acesas e cantando uma das músicas que já tínhamos ensaiado Uma das músicas assim se iniciava: ”Chegou o dia da querida Festa, chegou a hora em que vamos comungar, a inocência brilha em nossa testa, queremos sempre a Jesus amar”.
                Sentamo-nos nos primeiros bancos para nós reservados. As catequistas ficaram de pé, dando-nos instruções. A Igreja estava lotada, principalmente pelo comparecimento de nossos familiares, bem como das mães em comemoração ao dia delas.
                Houve a missa especial celebrada pelo pároco. Fez uma prédica muito bonita, tanto em comemoração ao dia das mães, quanto em relação à nossa primeira Comunhão.
                Na hora da Comunhão, o padre deu preferência para nós, crianças, em razão de estarmos recebendo a Eucaristia pela primeira vez.
               Em fila e ordenadamente, fomos recebendo a comunhão. Eu estava tremendo de emoção. Quase deixei cair a hóstia que o sacerdote colocou em uma de minhas mãos. No final, deu certo. Voltamos para nossos lugares, e aí foi a vez das mamães comungarem.
              Terminada a missa, recebemos os cumprimentos de nossos pais, parentes e demais pessoas.
          Deram-nos lembrancinhas de nossa PRIMEIRA COMUNHÃO, da qual jamais me esquecerei.



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