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Achel Tinoco
      ARTIGOS

DUPLAS POLÍTICAS

Talvez o eleitor já tenha percebido quão terno andam as relações entre pais e filhos nesta eleição. Parecem duplas sertanejas, as mais harmônicas existentes, não destoam uma nota do combinado: se fulano é filho de sicrano, decerto que merece seu voto, um tem a história do outro, oxente, por isso vão resolver todos os seus problemas, abestalhado eleitor. Por que entraram na política? Ora, porque é filho de fulano e fulano é o pai de sicrano, isso basta. Quanto a projetos ou propostas, nenhuma. São todos do mesmo saco e do mesmo time, jogam por música, embora não pertençam a quaisquer seleções, apenas receberam o chamado do coração, muito mais do que dos próprios pais, a servirem à pátria. Pátria minha, pátria sua, pátria de todos os filhos da puta deste país democrático, aristocrático e performático. Se pai político eles não tiverem, este ano não aceita-se padrinhos, tão somente pais, de preferência que tenham nas mãos uns votinhos já agendados ou andem agarrados às tetas políticas estaduais e federais. Estão pregados nos cartazes, todos riem, mesmo aqueles que jamais imprimiram um sorriso à identidade, no problem, façam-se sorrir ao foto shop, que as dentaduras ficam iguais aos dentes de leite dos meninos emancipados agora mesmo para concorrerem a uma cadeira legislativa. Ah, e os papais vão ficar tão orgulhosos! Se um pleiteia a câmara federal, o outro pleiteia apenas a câmara estadual, contanto que não se apartem pais e filhos, posto que ambos tenham a mesma história, qual seja: engabelar o povo.
            E eis aqui o que eles nos dirão: “Não venda seu voto.”


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