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O MERGULHO

Aquele brusco tremor o impulsionou violentamente para trás. Já sentira isso há muito tempo, quando inadvertidamente, colocara o dedo no bocal de uma lâmpada. Experiência assustadora! Alguma coisa entrara subitamente em seu corpo. Ao mesmo tempo em que, num ato reflexo, puxara a mão de volta, sentira uma contraditória atração. Queria levar outro choque! Quantas vezes, ao ver um bocal sem lâmpada, sentira novamente aquela estranha tentação. Sempre resistiu bravamente. Agora, contudo, num misto de sofrimento e prazer, toda aquela sensação se repetia e nada tinha a ver com o choque elétrico! Letras. Palavras. Livros. Depois que dominara as letras, passara a admirar as palavras. Ficava horas, olhando e pensando nelas. Letras sem sentido adquiriam uma espécie de vida... (leia mais)

Airo Zamoner




Vida vazia, vida marota!

Dr. Agildo caminhou vagarosamente até a enorme varanda. Saboreava os momentos do entardecer, um a um, como rotina para receber a noite implacável e então, recolher-se para o descanso. Desta vez, contudo, sentia-se diferente. Seus pensamentos esvoaçavam de um canto para outro da memória, contrariando seus comandos, inquietando seu espírito. Sentou-se na velha cadeira, admirando o extenso jardim. Os canteiros, emoldurando as divisas com suas cores imprevisíveis, tentavam suavizar seus sobressaltos. O ipê majestoso, que ele próprio plantara há tantos incontáveis anos, mantinha-se incólume a seus pensamentos. Parou seus olhos no aparente desordenado trabalho da velha árvore, largando o amarelo de pétalas a se desprenderem a cada instante, formando verdadeira alcativa.... (leia mais)

Airo Zamoner




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