CALEIDOSCÓPIO
Os tons de verde se sucedem intermináveis. É o verde-negro, verde-azul, verde-lilás, depois verde-marrom, verde-luz e verde-velho. Assim também, os amarelos, os rosas e os lilases. São recortes de cor quebrando a paisagem num quadro que se expõe e se esvai na janela do carro. Estou calada. O meu deslumbramento já não causa espanto aos demais, portanto não ouso manifestá-lo. Ora encho os olhos com a mistura de azul escuro e verde-preto da serra, ora com o verde-claro que se perde num amarelo suave, quase transparente, do vale. A natureza me encanta; mais que isso, se fundem em mim encantamento e melancolia. Extasia-me a beleza pura, forte, viva. Paralela ao êxtase, a melancolia. Quisera reter a beleza e até mesmo este sentimento de encantamento, mas ele é fugidio, por mais intenso que... (
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